Eduardo Martini; George Lucas, Mineiro, Ediglê e Jadílson; Claiton, Márcio Hahn e Michel; Léo, Adriano Chuva e Zulu. Esses atletas, que já tiveram algum destaque na dupla Gre-Nal em alguns momentos dos anos 1990 ou 2000, estarão presentes na disputa do Gauchão de 2013. Nenhum por Inter ou Grêmio. Com objetivos distintos — que vão de retomar a carreira à encerrar a vida profissional — mais de uma dezena de ex-jogadores da dupla vai embarrar o calção pelos gramados do interior.
Eduardo Martini (Lajeadense)
Eduardo Martini é um dos goleiros mais experientes em Gauchões. Começou a carreira pelo Grêmio, mas também passou por Juventude, Novo Hamburgo e, em 2013, defenderá o Lajeadense. Com 33 anos, destacou a vivência que teve no Grêmio como um aspecto a mais para ajudar o novo clube no Estadual:
— O que faz a diferença no Grêmio é que tu jogas competições internacionais, torneios importantes. O Grêmio me deu essa possibilidade, passei por isso no Juventude também. Isso sempre agrega qualidade, experiência. Jogar sempre em alto nível ajuda a ter mais visão.
Apesar de não jogar em um dos favoritos, Martini acredita na qualidade do Lajeadense:
— Sempre a expectativa no início é fazer o melhor. Tomara que possamos fazer um grande campeonato, aparecer de novo e mostrar que, mesmo com outros clubes com jogadores mais experientes, a idade não é obstáculo pela nossa qualidade.
Adriano Chuva (Canoas)
Adriano Chuva passou pelo Grêmio entre 2002 e 2003. O jogador tem passagens por grandes clubes brasileiros, como Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Juventude. Nos últimos anos, estava no futebol sul-coreano, onde jogou por Daejeon Citizen, Chunnam Dragons e Pohang Steelers. Aos 33 anos, será jogador do Canoas no Gauchão _ time que tentou outro centroavante ex-Grêmio, Jardel, mas sem sucesso.
— O Campeonato Gaúcho é o terceiro do Brasil. Além disso, posso estar perto de casa, perto da família — disse Adriano Chuva, para explicar o retorno ao futebol gaúcho.
Mais experiente, o atacante valorizou o fato de disputar o Estadual, ainda que por um clube pequeno.
— O que muda é a camisa, mas se você tiver motivação de jogar contra um time grande, amanhã ou depois você pode estar em um deles. É isso que eu procuro passar para os jogadores com menos experiência, que não há diferença dentro do campo. Na época, o Grêmio tinha um grupo muito bom, um grupo vencedor.
Claiton (Passo Fundo)
Claiton já viveu os dois lados da moeda. Foi campeão gaúcho três vezes pelo Inter, mas já disputou o Estadual do ano passado pelo Pelotas. Prestes a fazer 35 anos, o próximo desafio do ex-colorado é jogar pelo Passo Fundo. Para o volante, as dificuldades enfrentadas pelos clubes pequenos tornam o Gauchão mais empolgante:
— Jogar o Gauchão por um clube do Interior é até mais emocionante. Porque os times grandes sempre têm competições mais importantes. O Grêmio, por exemplo, tem a Libertadores. O Inter vai começar com o time reserva. Para os times menores, o Gauchão é tudo. A preparação já começa antes.
Apesar da motivação, Claiton sabe que o Passo Fundo não entra como favorito. A prioridade do grupo, segundo ele, é manter o clube na elite gaúcha:
— O Passo Fundo vem de um longo tempo na Divisão de Acesso. O primeiro objetivo é se manter na Primeira Divisão. Nós estamos trabalhando para ver se conseguimos algo maior. Nós entramos como azarão, quem sabe buscar uma classificação. Mas a primeira meta do Passo Fundo é não cair.
George Lucas (Pelotas)
A carreira de George Lucas é curiosa. Destaque de uma das piores épocas do Grêmio — em 2003 e 2004 —, o lateral-direito esteve em outros gigantes do futebol brasileiro. No Atlético-MG e no Santos, abriu as portas para a Europa. Agora, de volta ao Rio Grande do Sul para "ficar um tempo perto da família", tem dois objetivos no Gauchão: levar o Pelotas ao título e ser recontratado para algum time da primeira divisão nacional.
Cobrador de faltas e garçom — no Santos, em 2010, foram 16 jogos e 14 assistências no Campeonato Paulista — o gaúcho de Passo Fundo quer retomar a carreira, que surgiu brilhante. Fixado na lateral, aos 27 anos, acredita ter muito para acrescentar ao futebol. E viu, no Pelotas, a grande chance.
— Não falta nada por aqui. Temos uma grande estrutura, torcida fantástica, que cobra bastante. Isso é muito bom, tem que ter pressão também, para manter o jogador ligado — diz.
Ele divide com os torcedores o sonho de beliscar o título. Afirma não ser impossível, apesar de reconhecer o favoritismo de Inter e Grêmio.
— Estou louco que comece, cara. Fui campeão estadual com Grêmio, Atlético-MG e Santos. Por que não ganhar com o Pelotas também?
Léo (Esportivo)
Em 2005, o velocíssimo ataque do Paulista, de Jundiaí, acabou com o Inter. Após eliminar o colorado na Copa do Brasil, surpreendeu o país com o título. Poucos meses depois, o atacante que fazia dupla com Márcio Mossoró desembarcou no Beira-Rio. A concorrência era dura: Fernandão, Rafael Sobis, Iarley e Rentería eram os mais escalados. Nas oportunidades que recebeu — especialmente no Gauchão, foi bem. A poucos dias do Mundial de 2006, uma lesão de Rentería carimbou seu passaporte para Yokohama.
Individualmente, Léo ainda sonha em disputar as divisões principais do campeonato brasileiro. Aos 29 anos, tem, no Esportivo, uma vitrina para voltar à elite do futebol nacional.
Mas garante o foco no Gauchão. As primeiras impressões de Bento Gonçalves agradaram o paulista de Campinas, também cidadão italiano.
— Me sinto em casa. O povo da cidade é muito hospitaleiro. E aqui no clube tem um monte de gente que jogou comigo, como Erick, o Ediglê. Conhecia até alguns dirigentes. Podemos fazer um grande campeonato. Ser campeão é muito difícil, mas tenho certeza que dá.
Ediglê (Esportivo)
O zagueiro Ediglê já tem experiência no Gauchão. Foi até graças a um deles que atingiu o ponto máximo de sua carreira. Em 2005, ao ser destaque no vice-campeão 15 de Campo Bom, assinou contrato com o Inter que se preparava para disputar Libertadores e o Mundial. No colorado, formou dupla de zaga com Fabiano Eller, Índio e Bolívar. Por dois anos, o Beira-Rio foi sua casa.
Desde 2012, porém, a área da Montanha dos Vinhedos é onde costuma passar a maior parte de seus dias. Ediglê adotou Bento Gonçalves, foi o xerifão da campanha vitoriosa na Série A-2 do ano passado e quer sentir, novamente, o gostinho do título.
— O Esportivo manteve a base, melhorou ainda mais estrutura, trouxe reforços. A expectativa é muito boa.
Com 34 anos, tem bagagem suficiente para comparar a vida no Inter e no Esportivo:
— Aqui em Bento, não deixamos a desejar para ninguém no interior. Nem sei como aconteceu o rebaixamento. Mas agora que voltamos, queremos o título. Claro, no Inter é diferente. Tem uma torcida gigantesca, com grande estrutura, disputa diversos campeonatos e quase sempre é campeão. É um clube respeitado mundialmente.
Ex-jogadores da Dupla no Interior:
Goleiros
Eduardo Martini (ex-Grêmio) _ Lajeadense
Zagueiros
Mineiro (ex-Inter) _ Lajeadense
Wagner Silva (ex-Inter) _ Pelotas
Laterais-direitos
Michel Gaúcho (ex-Inter) _ Canoas
Laterais-esquerdos
Jadílson (ex-Grêmio) _ Pelotas
Fellype Athirson (ex-Inter) _ Esportivo
Volantes
Marcio Hahn (ex-Inter) _ Novo Hamburgo
Meias
Michel (ex-Inter) _ Caxias
Atacantes:
Bergson (ex-Grêmio) _ Juventude
Tiago Duarte (ex-Grêmio) _ São Luiz
Zulu (ex-Grêmio) _ Juventude
Wellington (ex-Inter) _ Pelotas













