Os acessos do Criciúma para a Série A e da Chapecoense à Série B escancaram uma realidade de difícil compreensão: enquanto o Rio Grande do Sul tem apenas a dupla Gre- Nal e o Caxias garantidos em competições nacionais, os vizinhos de cima acumulam sucesso.
Mesmo que, na maioria das vezes, com menos dinheiro, menos estrutura e torcidas menores.
Apesar da má campanha do Figueirense na primeira divisão, Santa Catarina manterá um representante na elite, o Criciúma. Enquanto isso, na Série B de 2013, serão quatro representantes, o segundo Estado em número de equipes, atrás apenas de São Paulo. São eles: Avaí, Chapecoense, Joinville e Figueirense.
Economicamente, o PIB do Rio Grande do Sul é quase duas vezes maior. Em população, outra vantagem: são 10 milhões de habitantes contra 6 milhões. Mesmo assim, em campo, o rendimento dos clubes do interior catarinense é melhor.
Confira algumas das razões:
A força Gre-Nal
A polarização do Rio Grande do Sul na dupla Gre- Nal é apontada como a principal razão para o sucesso de ambos e a decadência do resto dos times gaúchos no cenário nacional. No entanto, em Minas Gerais, por exemplo, a polarização também existe. Mesmo assim, são dois representantes mineiros em vagas não automáticas: Boa na Série B e Ipatinga, que disputará a C em 2013.
Para o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, os clubes do Interior “sentem a sombra da dupla Gre- Nal”.
— Tem mais sócio do Inter em Caxias do Sul do que do Caxias. Grêmio e Internacional são tão fortes que ocupam 99,9% das atenções. Até em Pelotas, a Dupla conseguiu derrubar essa barreira. Lá em Santa Catarina é mais regional — aponta.
Segundo o presidente do Juventude, Raimundo Delamore, os clubes menores são submetidos a imposições da dupla Gre-Nal.
— Eles (Grêmio e Inter) fazem o que querem, na hora que querem, e os outros são obrigados a aceitar — protesta.
Time de um semestre
Enquanto no Estado, alguns clubes preocupam- se apenas com o Gauchão, em Santa Catarina, a atenção é grande também com as disputas nacionais. O presidente do Cerâmica, de Gravataí, Décio Vicente Becker, ressalta:
— Tem clubes ( no RS) que jogam apenas quatro ou cinco meses. Eu acredito que devem se organizar para jogar o ano inteiro.
Exemplo do vizinho
Para o presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Pádua Peixoto Filho, a principal diferença entre os dois Estados reflete a história e vem desde a colonização e do crescimento demográfico das cidades. Enquanto Porto Alegre se tornou uma grande metrópole, Santa Catarina apresentou outras cidades importantes economicamente, como Criciúma, Joinville e Chapecó.
— As principais cidades catarinenses têm porte similar, mas com heranças culturais muito distintas. Junto a essas diferenças culturais, surgiu a rivalidade entre os clubes, que ao longo dos anos foram criando tradição no esporte. Isso permitiu que eles se fortalecessem praticamente na mesma proporção — explica.
Sandro Luiz Pallaoro, presidente da Chapecoense, afirma que os pequenos catarinenses envolvem o poder público e a comunidade para ter investimentos em competições nacionais.
Organização
Existe uma carência de planejamento dos clubes, segundo Novelletto. O presidente da FGF reforça que os times do interior do RS ganham quase R$ 1 milhão para disputar o Gauchão, enquanto os grandes catarinenses recebem R$ 200 mil.













