No coração da Copa16/03/2013 | 13h12

A 15 meses do Mundial da Fifa, o Rio está em plena transformação

Preparação para 2014 não é visível ao desembarcar, mas ruas já têm problemas com obras

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A 15 meses do Mundial da Fifa, o Rio está em plena transformação Eduardo Gabardo/Arquivo Pessoal
Eduardo Gabardo será o Correspondente RBS no Rio até o fim da Copa de 2014 Foto: Eduardo Gabardo / Arquivo Pessoal

A primeira impressão de quem chega ao Rio ainda é a mesma: no Aeroporto do Galeão a mala demora para aparecer na esteira, para pegar o táxi não há qualquer tipo de fila organizada — a não ser que você queira pegar um táxi especial e gastar R$ 105 até Copacabana. No desembarque, pouco se vê de uma cidade que vai receber uma Copa do Mundo.

Já estive no Rio dezenas de vezes, trabalhando pela Rádio Gaúcha ou de férias. Mas agora é diferente: voltei para morar. Aqui será minha casa até julho de 2014, quando termina o Mundial da Fifa. O olhar, desta vez, é outro. O Galeão tem 36 anos e estão sendo investidos R$ 738 milhões na sua reforma, que inclui melhorias no terminal 1 e conclusão do terminal 2, além de mudanças na pista e no pátio. A previsão é que tudo fique pronto em dezembro de 2013, mas, por enquanto, o avanço não é perceptível.

Ao sair do aeroporto, o trânsito parece pior. E não é impressão, tem explicação. Na última quarta-feira, começou a obra de revitalização da área portuária, que receberá o nome de Porto Maravilha. O projeto prevê construção de restaurantes, bares, museus e hotéis. A iniciativa é fantástica e deve ficar pronta até a metade do ano que vem. Mas por causa dessas obras o congestionamento nos acessos à parte central tem sido preocupante. Durante a semana foram afetadas as linhas vermelha e amarela e a ponte Rio-Niterói, o que ocasionou superlotação nas estações das barcas que fazem a travessia da Baía de Guanabara.

Durante a Copa, muitos turistas vão procurar a Zona Sul. É bom preparar o bolso: se normalmente a hospedagem já é cara por aqui, a previsão é de que os preços disparem até o ano que vem. Caminhar no calçadão de Copacabana, Ipanema ou Leblon, sentar em um boteco e curtir a vida carioca não tem preço, certo? Errado: tem. Por enquanto, pelo menos R$ 300 — a diária de um hotel da região. Claro que existem alternativas mais baratas em outras áreas da cidade.

Os preços podem assustar turistas, mas a grande preocupação, no momento, é com o Maracanã. A semana foi de plantio do novo gramado e começo da instalação da cobertura, feita com lonas de teflon e fibra de vidro para proteger 76 mil dos 79 mil lugares. Os suportes para os quatro telões, de 100m2 cada, também estão sendo colocados.

O estádio será entregue no dia 27 de abril, e vai receber três eventos-teste. Dois menores, para convidados: um no dia da entrega e o segundo em 8 de maio. O último será o teste de fogo: amistoso entre Brasil e Inglaterra, no dia 2 de junho. Na Copa das Confederações, o Maracanã terá três partidas: México e Itália, Espanha e Taiti, e a finalíssima. Em 2014, serão sete jogos, incluindo a final, marcada para 13 de julho.

São 452 dias para tentar deixar o Rio pronto para mais uma Copa, como em 1950, quando a então capital federal construiu um estádio para receber a final – o inesquecível Maracanazo. Depois de 63 anos, surge um novo Maracanã, com anéis de arquibancadas interligados, cadeiras em todo o estádio e cobertura renovada. Uma mudança e tanto na arquitetura.

Agora, só falta mudar o resultado dentro de campo.

RAIO-X

Rio de Janeiro

Estádio: Maracanã (R$ 808,4 milhões)
Conclusão: 87%
Investimentos na cidade: R$ 3,9 bilhões
Problemas: os sistemas de ônibus rápidos ainda estão em obras e o estádio, que será palco da final da Copa das Confederações, preocupa por conta do atraso nas obras.

* Eduardo Gabardo vai produzir conteúdo multimídia e liderar os correspondentes RBS nas Capitais da Copa

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