O assunto era futebol, mas a entrevista coletiva com os técnicos das seleções da Copa das Confederações poderia tranquilamente estar num treinamento de diplomatas do Itamaraty.
>>> Veja como ficaram os grupos e a tabela de jogos da Copa das Confederações
Não se ouviu bravata, promessa, opinião forte sobre outras seleções participantes, ou sobre a tabela. Até mesmo o fato do grupo A ter virado um "grupo da morte", com Brasil, Itália, México e Japão, provocou elogios.
– Itália, Japão e México nos darão uma chance muito maior do que se não tivéssemos um grande adversário. O atleta brasileiro tem foco muito maior quando enfrenta mais dificuldades. Foi ótimo, esse sorteio – disse o técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari.
A linha polyanna, de ver o lado bom de tudo, foi seguida pelos outros técnicos. O italiano Cesare Prandelli disse inclusive não ver problemas nas longas viagens - a tabela da Copa das Confederações exigirá que a Itália jogue no Rio, em Recife e em Salvador na primeira fase.
– As viagens serão cansativas, mas isso também serve para nos preparar para elas – afirmou.
A única nota de reclamação veio de Oscar Tabárez, treinador do Uruguai, que pega a favorita Espanha logo na estreia, apenas cinco dias depois de enfrentar a Venezuela, pelas Eliminatórias, no país adversário.
– Teremos de chegar ao Brasil logo no dia seguinte, por normas da competição. Isso provoca desgaste, não entendi o porquê da regra – afirmou.
Confira algumas declarações dos sete técnicos (o representante africano ainda não está definido) que devem vir ao Brasil em junho de 2013:
GRUPO A
Luiz Felipe Scolari (Brasil)
Sobre o grupo e o início contra o Japão
"A ordem dos jogos não muda nada. Não tem nada de grupo da morte. O grupo é bem forte, é assim que nós queremos, é bom de jogar. Se estamos querendo jogos que nos coloquem em xeque e façam com que o torcedor vibre e participe,o bom é termos na chave quatro competidores em boas condições."
Sobre o histórico de derrotas contra o México
"É mais uma possibilidade para ver onde estamos errando para que não tenhamos conseguido vitorias. É um adversário importnte para a classificação, já que temos um desconforto em relação a essa equipe, então vamos nos preparar melhor do que contra qualquer outra equipe."
Caso a Seleção não conquiste o título
"Não acho que uma derrota faça com que cheguemos à Copa do Mundo desacreditados, se mostrarmos boas condições e jogarmos bem."
Sobre a aproximação da Seleção com a torcida
"O resgate popular é uma situação que nós vamos trabalhar junto com a comissão e os atletas, para que possamos ter novamente, principalmente no brasil, um ambiente de confraternização entre a seleção e a população. Vamos estudar uma aproximação maior."
Cesare Prandelli (Itália)
Sobre enfrentar o Japão, que tem técnico italiano
"Será uma grande emoção enfrentar um amigo e um grande profissional."
Sobre os deslocamentos
"Ainda não decidimos o campo-base. Quanto à ordem dos jogos, não é problema. o problema é enfrentar os adversários com a mentalidade correta."
Alberto Zaccheroni (Japão)
Sobre o enfrentamento com a Itália
"Para mim, pessoalmente, vai ser algo bem diferente, seguramente não será uma partida normal. vamos tentar buscar os resultados, e faz bem também para a Italia que tenhamos essa intenção."
Sobre o nível do Japão
"Todos os adversários estão melhor ranqueados do que nós. Entretanto, nos últlimos tempos, a minha seleção cresceu muito, mudou muito. Os jogadores estão com mais experiência no estrangeiro, sobretudo na Europa. Tenho grande curiosidade de enfrentar esses gigantes."
José Manuel de La Torre (México)
Sobre o grupo
"Nosso grupo tem 9 campeonatos mundiais, então será uma grande oportunidade. Não estamos só participando: temos a firme intenção de passar para a segunda rodada. O México já fez isso antes."
Sobre as vitórias contra o Brasil
"Se sempre tivemos sucessos é porque estávamos preparados e estudamos bem o oponente. Mas isso não vale mais: temos que estudar bem novamente porque é uma nova gestão e será uma nova Seleção."
GRUPO B
Vicente Del Bosque (Espanha)
Sobre o favoritismo
"Temos maior responsabilidade por causa de nossos ultimos sucessos, mas temos de nos preparar o melhor possível. Sabemos que o Uruguai não esteve muito longe do titulo mundial em 2010."
Sobre os destaques individuais
"Estamos falando de esportes coletivos, e no momento o que nos preocupa são os times, as seleções."
Óscar Tabárez (Uruguai)
Sobre a estreia contra a Espanha
"É o rival mais difícil por causa dos antecedentes dos últimos anos. Por outro lado é um orgulho e uma grande motivação jogar essa partida."
Sobre a tabela
"O jogo decisivo vai ser o segundo, contra o representante africano. Esse jogo vai ser a barreira para passar à segunda fase."
Sobre a má fase do time
"Estamos melhores do que na eliminatória anterior - e naquela ocasião chegamos ao Mundial. Até setembro estávamos bem nas Eliminatórias. Nosso drama ocorreu nas quatro partidas a partir de setembro, vamos ver nos próximos resultados se a debácle vai ser definitiva. Aspiramos a estar no brasil em 2014."
Eddy Etaeta (Taiti)
Sobre o papel de zebra
"É uma coisa incrível o que houve conosco. Um país pequeno como o nosso, com uma população pequena, vai enfrentar dois campeões do mundo. Esperamos estar à altura de todos para representar bem os povos do Pacífico."
Sobre a estreia no Maracanã
"É um priviléigio jogar contra a campeã do mundo no estádio que é místico, no Rio, o Maracanã. A Espanha tem muita posse de bola. Vamos ser realistas, ganhar seria incrível. Somos privilegiados só por estar no jogo."













