Palcos da Copa29/12/2012 | 16h01

Com 70 mil lugares, Mané Garrincha buscará eventos para não virar elefante branco

Com média de 614 pagantes em jogos no Estadual, Governo do Distrito Federal terá tarefa complicada para manter estádio cheio após a Copa

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Com 70 mil lugares, Mané Garrincha buscará eventos para não virar elefante branco Mary Leal/Divulgação
Estádio terá capacidade para 70 mil torcedores Foto: Mary Leal / Divulgação

Assim como a Capital Federal foi construída em meio ao vazio do Planalto Central, na década de 50, uma nova estrutura de 55 metros de altura está sendo erguida do zero. Grandioso, o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha pretende se somar, agora, aos prédios históricos que projetaram a cidade como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Mas, após a Copa, o governo do Distrito Federal terá uma tarefa tão complicada quanto construir o colosso de 70 mil lugares: fazer com que não se torne um elefante branco.

Erguido no local onde ficava o antigo estádio, demolido em 2010, o Mané Garrincha será o palco do jogo inaugural da Copa das Confederações. A seis meses da abertura do torneio, o complexo está 84% concluído. Ao exibir seus traços, é apresentado aos turistas como "um monumento à altura da beleza, arquitetura e história" de Brasília.

O estádio receberá a abertura da Copa das Confederações, em junho do ano que vem, e também vai sediar sete jogos da Copa do Mundo de 2014. Mas nem por isso esconde a pretensão de ser utilizado além das competições esportivas. Como Brasília não tem tradição no futebol, a ideia do governo do DF é aproveitar os mais de 70 mil lugares disponíveis também para realização de grandes shows e eventos nacionais e internacionais.

Para isso, o novo Mané Garrincha terá uma passagem subterrânea que irá ligá-lo ao Centro de Convenções de Brasília, um espaço tradicional da cidade onde são realizados encontros de entidades de todo o país. A programação cultural será planejada por uma empresa especializada, que será contratada por licitação. Em breve, o Governo do Distrito Federal (GDF) pretende promover um edital de concorrência para definir o primeiro administrador do espaço, que terá a tarefa de encher o calendário de eventos.

As autoridades do DF apostam no lobby junto à CBF para transferir alguns jogos do Campeonato Brasileiro para o estádio e compensar o fraco público de times como o Brasiliense. Em virtude da forma como os assentos foram distribuídos, os torcedores conseguirão ter visão completa de qualquer ponto do gramado, independentemente do lugar escolhido. O gramado foi rebaixado em 4,8 metros de sua altura original para que a menor distância entre torcida e campo fique em 7,5 metros.

Sustentabilidade
A preocupação com o ambiente também está presente na construção do novo estádio de Brasília. Além da utilização de garrafas PET doadas pela população para a construção dos assentos do complexo, todo o espaço será coberto por uma estrutura especial, revestida por uma membrana de 90 mil metros quadrados. Em contato com a luz solar, esta membrana produzirá um efeito capaz retirar da atmosfera gases poluentes em uma quantidade equivalente à produzida por cerca de mil veículos diariamente. O revestimento também permitirá a entrada de luz natural, sem aumentar o calor interno.

Com custo aproximado de R$ 800 milhões, o Estádio Nacional é erguido com verbas do Distrito Federal, que vendeu terrenos públicos na região. A obra é executada pelo consórcio Brasília 2014, formado pelas empresas Andrade Gutierrez e Via Engenharia.

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