Flexibilização da venda de álcool29/03/2012 | 13h21

"É tirar férias da lei da vida", critica fundadora do movimento Vida Urgente

Ativista fez apelo aos deputados gaúchos: "Façam jus ao nosso hino que diz 'Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra' e prove que aqui se cumpre lei"

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Duas decisões tomadas na quarta-feira deixaram a presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, Diza Gonzaga, extremamente triste: a provável flexibilização da lei sobre a venda de álcool nos estádios de futebol no RS e a mudança na Lei Seca bancada pelo Superior Tribunal de Justiça.

A ativista do movimento Vida Urgente classificou como "grave" sobretudo a possível mudança na lei gaúcha, que entrou em vigor em 2008 e proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas dentro de estádios. Ontem, a Câmara dos Deputados empurrou para os Estados a decisão de liberar a venda e o consumo de álcool nos estádios da Copa do Mundo. O governador Tarso Genro já sinalizou que encaminhará um projeto à Assembleia Legislativa para liberar a comercialização no estádio Beira-Rio no período do Mundial.

Confira trechos da entrevista concedida nesta manhã por telefone a ZH:

Zero Hora — Como você avalia a possibilidade de mudança na lei sobre venda de bebidas nos estádios?

Diza Gonzaga —
Os nossos deputados lavaram as mãos. É uma decisão acima do interesse pela vida e que me envergonha. Eu fico decepcionada porque o Brasil está indo na contramão da Década de Ação pelo Trânsito Seguro, lançada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visa reduzir em 50% o índice de mortalidade. O Brasil é um dos cinco países com o maior número de mortes nas estradas e ruas, junto com China, Índia, Rússia e Estados Unidos.

ZH — Quais são os principais problemas implicados nesta mudança na Lei Geral da Copa?

Diza Gonzaga — Aqui no Rio Grande do Sul estamos há quatro anos sem vender bebidas nos estádios. Segundo dados da Brigada Militar, a violência diminuiu em 70% desde que a lei entrou em vigor.

Claro que os defensores da mudança na lei vão dizer que as pessoas bebem no entorno do estádio, o que é verdade. Só que depois de três horas pulando para defender o time, o efeito do álcool passa. Poucas pessoas bebem na rua. Grande parte da torcida chega no estádio pouco antes do jogo e já entra direto.

É tirar férias da lei da vida. Quero ver depois o Beira-Rio voltar a proibir a venda de álcool. Esta é a gravidade, é o país do jeitinho que revoga lei, o Brasil que desanima.

ZH — Você acredita que pode haver uma pressão para que voltem a vender bebidas nos estádios após a Copa?

Dira Gonzaga —
Eu estou esperançosa que os nossos deputados façam jus ao nosso hino que diz "Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra" e prove que aqui se cumpre lei. Estou fazendo apelo aos parlamentares via Twitter. Não temos que nos vender a interesses econômicos, sobrepondo a vida. O problema maior é a revogação de uma lei. Das 12 cidades-sede, sete têm lei sobre a venda de álcool e assim deve seguir.

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Comentar esta matéria Comentários (10)

Adriano

Essa Sra. há muito tempo perdeu a razão em seu protesto quando embargou na onda do radicalismo. Cerveja no estádio é aceita em muitos países diversas vezes mais desenvolvidos que o nosso Brasil. A Sra.Giza está errando o foco e gastando energias em uma luta vazia.

30/03/2012 | 09h35 Denunciar

Israel

O bêbado sempre acha que tem razão.É porque ja perdeu a capacidade de raciocinar pois o alcool destruiu seus neurônios.

29/03/2012 | 23h23 Denunciar

Izane

É EXAGERO, quando a tragédia bate na porta dos outros. Em se tratando de tragédia, prevenir é tudo, sempre.

29/03/2012 | 17h33 Denunciar

GERONIMO GRANDO

O consumo de bebidas alcoolicas, no caso cerveja, nos jogos da copa do mundo de 2014, não significa qualquer tipo de quebra de soberania ou de qualquer outro melindre. Observar que será permitido beber cerveja, mas nao sera revogada a "Lei Seca", portanto,teste do "bafometro" para todos os motorista

29/03/2012 | 17h24 Denunciar

Gilmar

No Brasil existe um grupinho barulhento que se acha acima dos outros mortais, porque o poder de discernimento é mais baixo do que o pré-sal.Por que não atuam para que os bandidos que matam mais de 50.000 em roubos e assaltos tenham sim uma pena mais rigorosa? Não dá ibope e desemprega advogados.

29/03/2012 | 17h06 Denunciar

Izane

De um lado alguns poucos, lutando pela vida de todos os outros. De outro, muitos apoiando o descumprimento do estatuto do torcedor, no consumo de alcool nos estádios, durante a copa. Será que, sempre vai ser assim? Muitos olhando, só para o próprio umbigo. Uma pena!

29/03/2012 | 16h24 Denunciar

Israel

É mais uma vêz o business passando por cima da ética e agora também comprando a Lei.

29/03/2012 | 15h38 Denunciar

Israel

É mais uma vêz o business passando por cima da ética e agora também comprando a Lei.

29/03/2012 | 15h33 Denunciar

Luiz

Nossa, que exagero. São apenas alguns jogos, aprovem logo isto e vamos trabalhar. Todo mundo que quer beber bebe antes mesmo, comprando de ambulantes.

29/03/2012 | 13h58 Denunciar

rafael

Solidarizo-me com a D. Diza Gonzaga. Infelizmente, esta é a justiça que temos no país, mais preocupada com o bandido do que com as vítimas. O dia em que um filho desses ministros for a vítima de um motorista bêbado, certamente mudarão de ideia bem rápido... é aguardar para ver.

29/03/2012 | 13h54 Denunciar

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