A criação de uma força-tarefa que envolva governador, deputados, representação gaúcha no Congresso e prefeitos de cidades candidatas à subsede da Copa de 2014 foi sugerida ontem pelo presidente do Grêmio, Paulo Odone, com o objetivo de trazer para a Capital jogos da Copa das Confederações, marcada para 2013. Em pronunciamento na Assembleia, Odone, também deputado estadual pelo PPS, disse que a Arena do clube, em construção no bairro Humaitá, sediaria os jogos. Por enquanto, o futuro estádio gremista está confirmado apenas como Campo Oficial de Treinamento (COT) da Copa do Mundo de 2014.
— Não podemos assistir a disputa do bolo e ficar de fora. O prejuízo econômico será imenso. Poderíamos trazer a seleção uruguaia e arrastar para cá cerca de 50 mil uruguaios e irrigar nossa economia. Temos que nos movimentar — discursou.
Odone se disse surpreso ao ver a mobilização das autoridades baianas para a aceleração das obras da Fonte Nova. Um novo contrato, resultado de uma parceria entre as construtoras Odebrecht e OAS, permitiu que o término da construção fosse antecipado para dezembro deste ano. O contrato original previa a entrega do estádio somente em 2013.
O resultado da mobilização baiana, diz Odone, é que Salvador se credenciou a sediar jogos da Copa das Confederações, quando apenas Rio, Belo Horizonte, Brasília e Fortaleza faziam parte da lista inicial.
— Por que o Rio Grande do Sul tem que assistir a Bahia se juntar em torno do mesmo objetivo quando temos o estádio mais adiantado do país? — pergunta Odone.
Marcada para o dia 14, a visita do ministro dos Esportes a Porto Alegre será o ponto de partida para a mobilização dos gaúchos em favor da Copa das Confederações. Uma frente parlamentar irá reivindicar o apoio do governador. À bancada gaúcha caberá a tarefa de pedir o apoio do governo federal à mobilização.
Odone garante que seu projeto não leva em consideração cor clubística. Acha justo que o Inter tenha se credenciado para a Copa do Mundo. Alerta, no entanto, que a Arena servirá como alternativa caso o Beira-Rio não fique pronto até o Mundial.
O secretário estadual do Esporte e do Lazer e coordenador do Comitê Gestor da Copa 2014, Kalil Sehbe, prometeu encaminhar a demanda ao Comitê Organizador Local (COL).
Também o presidente em exercício do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre, Ricardo Ritter, apoiou a iniciativa. Segundo o empresário, a hora não é de "grenalização de posições" e, sim, de enxergar as vantagens econômicas e sociais da medida.
— Já sabemos o quanto o Estado deixará de ganhar sem a Copa das Confederações. É hora de enxergarmos o quanto ele irá ganhar— destacou Ritter.
"Vamos fazer um esforço conjunto" *
Três meses e meio depois de a Fifa deixar Porto Alegre de fora das cidades escolhidas para a Copa das Confederações de 2013, o governo estadual decidiu se mexer: vai pedir à entidade que a Arena tricolor receba jogos da competição. Para o secretário Kalil Sehbe, o pleito não foi feito antes porque não havia um pedido oficial do Grêmio.
Zero Hora – Ainda há chance de trazer a Copa das Confederações a Porto Alegre?
Kalil Sehbe – Acho que não podemos é nos lamentar por não termos pedido. Nós, como gestores, ao receber uma demanda do Grêmio, que estará com o estádio pronto, temos de cumprir.
ZH – Desde o ano passado, a previsão de término da Arena é final de 2012. Por que o pedido não foi feito antes que a cidade ficasse de fora da Copa das Confederações?
Sehbe – É que não havia uma alternativa que não fosse o estádio Beira-Rio, na época.
ZH – Como não, se a Arena já estava até em construção?
Sehbe – A Fifa nunca nos colocou essa opção.
ZH – Colocou agora?
Sehbe – Não, ainda não, mas vamos tentar.
ZH – Se não colocou agora, qual é a diferença, então?
Sehbe – A diferença é que o Grêmio não havia feito uma oferta, um pleito oficial, como está colocando agora.
ZH – Não teria sido mais produtivo fazer o pedido antes da Capital ficar de fora da Copa das Confederações?
Sehbe – Não vamos lamentar coisas que já passaram. Nosso sistema é olhar para a frente.
ZH – É norma da Fifa que os estádios da Copa das Confederações sejam os mesmos da Copa. O senhor acha que essa regra pode ser mudada?
Sehbe – Aí é a Fifa que tem de responder, não posso eu dar a resposta sobre algo que a Fifa vai analisar.
*por Rodrigo Müzell
rodrigo.muzell@zerohora.com.br













