Genérico eletrônico23/12/2012 | 15h23

Tablets de menos de R$ 1 mil têm mais de metade do mercado no Brasil

Fábricas nacionais competem com produtos mais adaptados aos bolsos do usuário de nível básico

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Tablets de menos de R$ 1 mil têm mais de metade do mercado no Brasil Sascha Schuermann/AP
Foto: Sascha Schuermann / AP

Nada de iPad ou tablet que pesa no bolso. O que atraiu os brasileiros neste ano foram as pranchetas eletrônicas com custo abaixo de R$ 1 mil. De janeiro a outubro de 2012, a participação dessa categoria no mercado de tablets subiu de 25,3% para 57,7%, segundo levantamento da empresa de pesquisa Nielsen.

Não são aparelhos extremamente sofisticados, mas têm as características suficientes para o usuário de nível básico: preço acessível, plataforma Android, conexão Wi-Fi à internet e sete polegadas, tamanho que torna fácil a tarefa de carregar o dispositivo em bolsas ou casacos.

— O iPad e o Galaxy Tab são os tops de linha, mas o mercado está concentrado nos tablets mais simples — disse Thiago Moreira, diretor de Telecom da Nielsen. — No ranking dos tablets mais vendidos do Brasil, os quatro primeiros custam menos do que R$ 1 mil.

Uma empresa importante nesse setor é a DL, que tem 10 modelos de tablets em linha de produção a preços que variam entre R$ 350 e R$ 1,3 mil. Se analisados os números fornecidos pela empresa e o último levantamento da IDC, é possível dizer que a DL tem cerca de um terço do mercado —  a consultoria prevê que 2,9 milhões de tablets sejam vendidos no Brasil neste ano, e a DL espera encerrar 2012 com 1 milhão de tablets produzidos.

A fábrica da empresa fica em Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais. Lá são feitas pranchetas pretas, brancas, cor de rosa, com suporte para Wi-Fi e/ou 3G, com tela 3D (para ser usado com óculos), com plataforma configurada para crianças, de 7, 8 e 10 polegadas.

É uma variedade que destoa de grandes empresas, como a Apple, que deu início a esse mercado em 2010 e está agora no seu quinto modelo — o iPad mini, de 7,9 polegadas. Os anteriores têm 9,7 polegadas e estão disponíveis em preto e branco.

— Eles são multinacionais e não conseguem lançar produtos para nichos específicos — disse o chinês Paulo Xu, fundador da DL. — Nós estudamos o mercado e sabemos que o rosa que agrada à brasileira é o mais forte, não o mais claro.

Apesar de não ter nascido no país e ainda ter um sotaque forte, Xu sabe das necessidades da classe média. Quando se mudou da China para o Brasil, seu primeiro emprego foi como cozinheiro de um restaurante. O salário era de R$ 450 por mês e ele vivia em cima do restaurante, num quarto de três metros quadrados. Até se tornar uma potência no mercado das pranchetas, ele abriu o próprio restaurante e depois passou a importar panelas elétricas para arroz sob o nome Doce Lar (DL).

O negócio evoluiu para a produção local de eletrônicos e fez a sigla DL virar Digital Life, como revelam os sites dos revendedores da marca. Hoje a empresa fatura R$ 200 milhões.

Outra companhia que aposta na variedade das pranchetas é a brasileira Multilaser. A empresa, que chegou ao mercado há 25 anos com cartuchos para impressoras, tem sete modelos de tablets (cores e tamanhos variados). O de maior sucesso é o Diamond, de R$ 439, que deve representar até o fim do ano metade das vendas de 500 mil tablets. AOC e Positivo também são marcas importantes no mercado nacional. Em comum, têm a variedade de modelos e o preço ao alcance do bolso do brasileiro.

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