Disputa no espaço28/12/2012 | 12h47

China lança sistema rival do GPS

Chamado de Beidou, o novo serviço de localização por satélite deve oferecer cobertura global até 2020

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O governo da China lançou na região Ásia-Pacífico os serviços públicos e comerciais de seu próprio sistema de navegação por satélite, projetado como um concorrente do americano GPS (Sistema de Posicionamento Global).

O sistema Beidou (termo para Ursa Maior em chinês), que utiliza atualmente uma rede de 16 satélites de navegação e quatro experimentais, começou na quinta-feira a proporcionar serviços a civis em toda a região e, de acordo com a imprensa estatal, deve oferecer cobertura global até 2020.

Em uma entrevista ao jornal China Daily, Ran Chengqi, porta-voz do Escritório Chinês de Navegação por Satélite, o desempenho do sistema é comparável ao do GPS.

– Os sinais do Beidou já podem ser recebidos na Austrália – disse.

Esta é a mais recente conquista da China no setor de tecnologia espacial. O país pretende construir uma estação espacial até o fim da década e, eventualmente, enviar uma missão tripulada à Lua.

Para ampliar a rede de satélites chineses serão lançados mais 40 aparelhos ao espaço até 2024, segundo o porta-voz, o que permitiria possuir uma cobertura mundial a partir de 2020.

A China considera o programa bilionário um símbolo de sua crescente estatura global, do conhecimento científico e do êxito do Partido Comunista.

O início do serviço comercial do sistema aconteceu um ano depois do Beidou começar a enviar sinais de navegação limitados ao território chinês. O país começou a construir a rede no ano 2000 para não depender do GPS.

Segundo o jornal chinês Global Times, "possuir um sistema de navegação por satélite tem enorme significado estratégico".

Morris Jones, analista do setor de tecnologia que mora em Sydney, na Austrália, considera pouco provável que o Beidou compita realmente com o GPS fora da China.

– O GPS está disponível gratuitamente, é de fácil acesso e muito conhecido, além de testado no mundo inteiro – declarou à agência de notícias AFP.

Para Jones, a principal razão da China para desenvolver o Beidou é proteger a segurança nacional, pois os Estados Unidos, que controlam o GPS, poderiam cortar o serviço.

– A possibilidade de recusa no acesso ao GPS leva outras nações a desenvolver o próprio sistema, livre do controle dos Estados Unidos – explica.

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