Perspectiva de alta26/02/2014 | 08h44

Banco Central deve elevar taxa de juro nesta quarta-feira

No segundo dia de reuniões do Copom, especialistas acreditam em alta de 0,25 ou 0,5 ponto percentual

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No maior ciclo de alta de juros do governo Dilma Rousseff, a Selic deve alcançar nesta quarta-feira 10,75% ao ano, o mesmo valor em que se encontrava quando Alexandre Tombini assumiu a presidência do Banco Central (BC), em janeiro de 2011. A maior parte do mercado financeiro espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentará os juros básicos em 0,25 ponto porcentual, depois de seis altas consecutivas de 0,5 ponto.

Ganhou terreno no mercado a ideia de que o BC fará um "freio" no aperto monetário, depois da divulgação de indicadores que apontam ritmo cada vez mais fraco da atividade econômica e inflação um pouco menor do que se esperava no início do ano. Contribui ainda para esta visão uma estabilização no preço do dólar nos últimos dias, após a desvalorização causada pela aversão dos investidores aos mercados emergentes ocorrida em janeiro.

A desaceleração da alta de juros foi sacramentada na semana passada, quando o governo anunciou meta de superávit primário de 1,9% do PIB para este ano, mesmo esforço fiscal realizado no ano passado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a sugerir que a política monetária seja "menos severa". O recado de Tombini de que a política monetária já surte efeitos também referendou apostas num ritmo menor de alta da Selic. Ele ainda lembrou que o País começou a aumentar os juros antes de outras economias, em abril de 2013.

Para a economista-chefe da consultoria Rosenberg, Thaís Zara, os dados da produção industrial e a queda nas vendas do varejo mostraram uma deterioração da economia no fim de 2013 que não vai ser compensada com os números de janeiro. Por outro lado, segundo ela, os indicadores de inflação trouxeram uma "surpresa positiva".

– Embora não tenham sido capazes de justificar uma postura menos agressiva da política monetária, os números dão uma tranquilidade adicional – afirma.

– O mercado diz que uma alta menor agora faria sentido, mas este mesmo mercado diz que o Banco Central terá que subir os juros em 2015. Ou seja: o mundo acredita que o BC não tem a coragem de fazer o ajuste necessário – afirma André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Para ele, subir a Selic em 0,50 ponto porcentual é a "chance de ouro para restabelecer a credibilidade arranhada".

– Seria uma forma simples e barata do BC ancorar parte das expectativas de longo prazo com o Brasil e assim restabelecer a eficácia de alguns instrumentos de política econômica que estavam obstruídos pela falta de confiança – afirma o economista.

A LCA Consultores também acredita numa alta de 0,50 ponto porcentual, embora os últimos movimentos do BC tenham sinalizado um ritmo menor.

– Seria mais recomendado continuar com aumento de meio ponto porcentual, considerando pressões de preços que virão mais à frente, como commodities agrícolas, passagens aéreas e a própria questão da energia, que está indefinida – afirma o economista Antonio Madeira, para quem a política monetária só entrou em campo contracionista no início deste ano.

Na visão do Santander, o Copom decidirá por um aumento de 0,25 ponto porcentual para fechar o movimento de alta.

– Por conta da atividade mais fraca e do tamanho expressivo do ciclo de alta dos juros, o Copom deve optar por parar e esperar os efeitos de política monetária começarem a aparecer – acredita a economista Tatiana Pinheiro.

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