Relacionamentos SA14/12/2013 | 13h03

Como as empresas estão mudando para atrair e reter profissionais mais criativos, afetivos e dispostos a trabalhar em equipe

Mudanças nas comemorações de final de ano são laboratórios para observar o comportamento de colegas de trabalho

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Festas de final de ano como as que enchem a agenda nesta época podem ser laboratórios para observar o comportamento de colegas de trabalho: como se relacionam, quais são mais desinibidos, do que falam e como se comportam em situações informais. Mas também dão indícios de como as empresas pretendem reter seus talentos.

Até bem pouco tempo enclausuradas em salões de eventos e regadas a refrigerantes e salgadinhos — bebidas alcoólicas raramente —, as festas corporativas entraram na maioridade. Ganharam as danceterias, passaram a oferecer uísque e cerveja gratuitos e perderam o constrangimento de criar clima de balada.

— As empresas estão sendo tomadas por jovens, inclusive em cargos executivos. O resultado é uma mudança nas relações interpessoais, na rotina de trabalho e, é claro, nas celebrações de final de ano — explica a diretora da empresa de endomarketing HappyHouse Brasil, Analisa de Medeiros Brum.

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O novo perfil das festas ajuda a ilustrar como o ambiente corporativo passa por profundas mudanças. O desembarque da Geração Y (jovens nascidos entre 1982 e 2000) nas empresas — questionadora de normas e chefias —, a fragilidade dos vínculos de trabalho e a obsessão pela produtividade derrubaram a formalidade e passaram a ditar ambientes mais descontraídos e pragmáticos aos escritórios. Embora os jovens sempre tenham sido assim, agora eles estão ocupando espaço mais rapidamente nas organizações, trazendo seu senso de urgência ao dia a dia das empresas.

Formação de grupos de trabalho, menor peso da hierarquia na discussão de projetos, e cobrança por mais rapidez nas promoções são alguns sintomas da nova cultura. Tentando organizar um ecossistema em plena mutação, os setores de recursos humanos (RH) respondem com métodos. Popularizados no Brasil pelos MBAs, sistemas de feedbacks (conversa entre líderes e equipe), cumprimento de metas individuais e inserção de funcionários em novos projetos se alastram por todas frentes, do operador de máquinas ao diretor.

O que está em alta e o que está em baixa nas relações entre colegas em uma empresa? Quatro esquetes recriam situações comuns no ambiente de trabalho. Confira!

 

A implementação de métodos nos departamentos pessoais procura mostrar aos funcionários que a empresa está, sim, preparada para atender aos seus anseios, explica a consultora organizacional Roberta Lopes do Nascimento:

— Ficou muito mais difícil reter e motivar os profissionais talentosos. As empresas estão redescobrindo como fazer gestão de pessoas.

Uma das descobertas que tem embasado as novas políticas de RH é que a capacidade de o funcionário se relacionar e superar conflitos tem peso igual — senão maior — do que sua formação técnica ou experiência. Roberta explica: colaboradores propensos à impaciência e submetidos a ambientes de forte pressão podem ter efeito de nitroglicerina se não souberem controlar suas emoções. Por outro lado, se mantiverem a cabeça no lugar e a motivação nas alturas, tornam-se valiosos.

— A habilidade técnica é mais fácil de ser desenvolvida. É a personalidade de cada um que vai mostrar se o funcionário poderá trazer mais colaboração, senso de urgência e poder de decisão à empresa — explica Clarice Martins Costa, diretora de RH das Lojas Renner.

Alinhada a um novo modelo que guia os processos de seleção de grandes empresas, a Renner cada vez mais leva em conta atributos comportamentais para escolher os novos colaboradores. Os recrutadores observam a postura de candidatos em dinâmicas e respondendo a questionários que simulam situações reais.

O currículo deixa de ser determinante.

Um profissional formado em Biologia ou Direito pode trabalhar no departamento de compras — um dos mais importantes da Renner — se a empresa entender que tem o perfil. A qualidade do trabalho não fica comprometida, garante Clarice:

— Cada funcionário é envolvido em 140 horas de treinamento por ano para atualizar a técnica.

O ecossistema corporativo

Conheça algumas das estratégias das empresas para reter talentos

Avaliações 360º — O funcionário é avaliado por pessoas nas quais confia e respeita, além de ter oportunidade de avaliar o desempenho de colegas e líderes.

Feedback — O líder conversa sobre desempenho e expectativas com cada subordinado.

Metas para promoção — O objetivo é mostrar que há um caminho bem definido para o funcionário crescer.

Coaching — Profissionais mais experientes se encarregam de treinar e dar dicas aos mais novos por um período.

Grupos de trabalho — Empresas encaixam os funcionários em grupos de trabalho, de forma a estimular a colaboração.

Treinamentos e cursos — Torna-se cada vez mais comum a incursão de funcionários a cursos técnicos e de gestão. A ideia é prepará-los para assumir rapidamente novas tarefas e treinar os mais velhos para lidar com os iniciantes.

Política de reconhecimento — Empresas substituem prêmios em dinheiro e bônus por cursos e brindes. Além de ser uma opção mais econômica, o método fortifica a noção de reconhecimento.

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