Relacionamentos SA14/12/2013 | 13h04

Como a chegada da Geração Y está mudando o mundo corporativo

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Como a chegada da Geração Y está mudando o mundo corporativo Mauro Vieira/Agencia RBS
equipes como a liderada por Raquel Landrino, 26 anos, onde a troca de conhecimento e as ideias incomuns são bem-vindas, estão em alta no mercado Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

No andar mais alto do prédio do Banco Sicredi em Porto Alegre, um grupo de oito pessoas faz um brainstorm para discutir melhorias nos produtos de investimento. A reunião não estava marcada, não tem um personagem central para dar e tirar a palavra e nem hora para terminar.

O questionamento de um fez com que todos se envolvessem na conversa: abasteceram-se de café, deixaram os smartphones no silencioso e empenharam-se num rápido troca-troca de ideias.

— O conhecimento de cada um é bem-vindo. Quando a colaboração vem espontaneamente, é ainda melhor — diz Raquel Landrino, 26 anos, responsável pelos produtos de depósito a prazo e poupança.

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A espontaneidade na formação de grupos de trabalho e a dispensa de regras rígidas são efeitos visíveis dos programas aplicados pelos departamentos de recursos humanos para dar nova cara aos escritórios. Calcada na busca por produtividade, inovação e desenvolvimento, a ofensiva dos RHs criou ambientes mais dinâmicos, com rápidas promoções, disponibilidade para novos desafios e formação de um ambiente onde todos podem dizer o que pensam.

Raquel é um exemplo: teve uma ascensão rápida e improvável. Era estudante de Relações Públicas quando entrou na empresa, e, ao descobrir que amava os números, recebeu do Sicredi uma especialização em finanças e um cargo de analista.

— Procuramos abrir espaço para que os colaboradores exerçam seu potencial em tarefas que os motivem — explica Viviane Furquim, superintendente de gestão de pessoas do Sicredi.

Casos como o de Raquel — replicado na maior parte das grandes empresas — tem mudado a forma como funcionários lidam com as lideranças. Como a permanência dos cargos é fugaz e eles são ocupados por profissionais de pouca experiência, as hierarquias deixaram de ser sinônimo de formalidade e obediência irrestrita. Funcionários questionam pedidos dos chefes e não raro os convencem a mudar o rumo de projetos. Se as companhias estão preocupadas? Nem um pouco.

— A inquietação ajuda as empresas a encontrar formas de melhorar seus produtos — afirma Maria da Graça Costi, diretora de desenvolvimento da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) no Rio Grande do Sul.

A avalanche de métricas, o estímulo ao questionamento e a rápida ascensão de talentos podem representar ameaças ao bom ambiente de trabalho e até aos resultados se forem feitos de forma incorreta. Conforme especialistas, as novas políticas de gestão de pessoas muitas vezes pecam por eleger um pequeno grupo de "favoritos" para receber cursos e treinamentos, enquanto a grande maioria se mantém na rotina.

Um dos principais erros é acelerar a promoção de jovens esperando que sua disposição seja o bastante para revolucionar processos ou produtos. Em alguns casos, a superficialidade de seu conhecimento e a falta de experiência pode ser uma ameaça à qualidade, explica Eduardo Carmello, diretor da consultoria Entheusiasmos:

— Não é por ser jovem e cheio de ideias que um funcionário fará um bom trabalho. Se não for preparado adequadamente, ele pode até impressionar no início, mas terá dificuldade de gerar resultados — explica Carmello.

A mescla de profissionais jovens e maduros talvez seja o principal desafio. Com uma carreira de 30 anos nas Lojas Renner, Nilson Morgado, gerente regional de lojas na Região Sul, explica que diariamente precisa lidar com a pressa dos novos trainees e executivos para alçar novos cargos.

— O desafio é dar bagagem para quem tem grande potencial, mas pouca paciência para aprender — explica Morgado.

Por que os escritórios mudaram?

Chegada da geração Y

Nascida entre os anos 1980 e o início dos anos 2000, a nova safra de funcionários dispensa formalidades, não costuma ficar presa a hierarquias para dizer o que pensa e quer a velocidade de um clique para progredir com sua carreira.

Empresas que não se movem geram um grupo de empregados impaciente e com produtividade reduzida.

Produtividade

Alcançar resultados tornou-se mais importante do que exigir cumprimento de horários, bom comportamento ou alcance de metas individuais.

Em busca de resultados, companhias topam (quase) qualquer negócio.

Inovação

As empresas perceberam que ambientes descontraídos, repletos de jovens e onde haja políticas de colaboração favorecem o surgimento de novas ideias, gerando mais inovação — um dos mais importantes fatores de sucesso atualmente.

Relações mais frágeis

A terceirização, a remuneração por resultados e uma disputa acirrada entre empresas pelos melhores cérebros tornou mais frágeis os vínculos de trabalho.

O tempo de vida de um funcionário na mesma companhia encurtou: ele precisa mostrar rapidamente suas qualidades e quer acelerar a carreira.

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