Tensão no câmbio18/12/2013 | 16h48

Antes da reunião do FED, especialistas apostam em novo adiamento de retirada de incentivos

Expectativa do decisão do banco central americano, porém, já se reflete na alta da cotação do dólar frente ao real

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Antes da reunião do FED, especialistas apostam em novo adiamento de retirada de incentivos J.Scott Applewhite/AP
Ben Bernanke deixará o cargo de presidente do Fed no final deste ano Foto: J.Scott Applewhite / AP

A reunião do Federal Reserve (Fed), banco central do Estados Unidos, pode confirmar nesta quarta-feira a retirada de incentivos que vinham sendo injetados no mercado daquele país. Após a crise financeira de 2008, o Fed vem comprando mensalmente US$ 85 bilhões em títulos da dívida do governo, dinheiro que acaba sendo investido em outros países. Na prática, especialistas consideram baixa a probabilidade de que a medida seja tomada nesta reunião:

– Achamos que isso vá acontecer mais para o começo do ano, no primeiro trimestre. Existem condições que viabilizam a tomada de decisão agora. O Obama se comprometeu a decidir isso esse ano, então pode fazer prevalecer sua promessa. Mas a maioria do mercado acha que isso vem no primeiro trimestre – avalia o economista e diretor executivo da NGO, empresa especializada em câmbio, Sidnei Moura Nehme.

Dilma Rousseff tenta tranquilizar mercado em dia de expectativa

De qualquer maneira, a certeza é de que, se não agora, até março a medida deve ser aprovada. Sendo assim, os impactos na economia mundial e brasileira já podem ser sentidos antecipadamente. Sem os incentivos, menos dólares circulam nos mercados emergentes, o que desvaloriza moedas como o Real. A consequência é um possível enfraquecimento do mercado nacional, além de uma alta no preço do dólar – que atualmente circula entre os R$ 2,33, mas já chegou a R$ 2,45. Nehme avalia que a cotação da moeda pode chegar a R$ 2,50 ao final do primeiro trimestre de 2014 e até R$ 2,60 ao final do próximo ano.

– O Banco Central tem conseguido, com seus instrumentos, conter. Mas quando a medida se tornar efetiva, a pressão será maior e, naturalmente, teremos dólar alto – prevê.

Segundo José Kobori, estrategista da JK Capital, o ajuste das taxas já começou a ser feito diante da expectativa da retirada dos incentivos nos Estados Unidos e pelo fortalecimento daquela economia:

– O movimento de saída de dólares já começa a ser percebido e é natural. Não só por causa da lei de oferta e procura, mas porque a economia americana começa a gerar atividade e se torna mais atrativa – explica.

Kobori avalia que, em meados de 2013, quando foi anunciada a nova presidente do Fed, Janet Yellen, o impacto na taxa cambial já foi percebido.

– Uma parte dos dólares que iriam embora já foram – diz.

Na manhã desta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff fez coro ao Ministro da Fazenda Guido Mantega e tentou tranquilizar o mercado, dizendo que o Brasil está "extremamente preparado para quando o Fed começar a reduzir os estímulos". Os economistas ouvidos por ZH não concordam com as afirmações dos membros do governo e preveem um futuro menos tranquilo para a economia do país:

– Quando se projeta um déficit de transações correntes de US$ 78 bilhões para o ano que vem, se vê que não devemos ter conforto no câmbio. É um número de largada muito grande, a projeção contradiz o discurso – explica.

O economista diz ainda que a retirada de dólares dos países emergentes afeta principalmente o Brasil, que "está mais vulnerável" e "reúne pouca atratividade'. As causas, segundo ele, são problemas na política fiscal, gastos em ano eleitoral e investimento baixo. Nehme é corroborado por Kobori:

– Acredito que o Brasil não tem recursos (para enfrentar a retirada de incentivos). O Ministro da Fazenda não sabe do que está falando e o mercado não acredita no que ele fala. Quando se olha os parâmetros da economia brasileira nesse governo, se percebe que é complicado.

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