O Rio Grande que dá certo17/03/2013 | 16h34

Viagens por terra e água com a Ouro e Prata

Marca é conhecida por atravessas regiões do Rio Grande do Sul transportando passageiros

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Viagens por terra e água com a Ouro e Prata Félix Zucco/Agencia RBS
Hugo Fleck, diretor presidente da Ouro e Prata, destaca a renovação da frota dos veículos Foto: Félix Zucco / Agencia RBS
Elio Bandeira

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Marca conhecida por atravessar regiões do Rio Grande do Sul transportando passageiros, a empresa de ônibus Ouro e Prata é uma das companhias do grupo que recentemente começou a operar os catamarãs na travessia fluvial Porto Alegre-Guaíba. Não deixa de ser uma coincidência, mas, no mesmo dia em que foi deflagrada a II Guerra Mundial, 1º de setembro de 1939, Willy Fleck inaugurou, em Crissiumal, uma empresa de transportes de passageiros e cargas para atender à região Noroeste do Estado.

A pequena frota enfrentava dificuldades diárias, especialmente pela precariedade das estradas da época, que ficavam praticamente intransitáveis em dias de chuva. Travessias maiores levavam dias. E o conflito internacional teve reflexos na atividade, devido à falta de combustível. Fleck ficou sabendo que uma empresa da Capital havia desenvolvido equipamentos movidos a gasogênio e decidiu utilizá-los nos veículos. Foi a salvação.

Aos poucos, o negócio foi adquirindo robustez, ao ponto de provocar a mudança da sede, para Três Passos, na metade dos anos 1940. No início da década seguinte, incorporou uma concorrente e passou a adotar o nome Viação Ouro e Prata. Mais ou menos nessa época, o irmão de Willy, Raimundo, também virou sócio.

— Naquele tempo, as dificuldades eram muito grandes, basicamente pela falta de asfalto. Muitos empreendedores acabaram ficaram pelo caminho — afirma Hugo Fleck, filho do fundador e atual diretor-presidente da companhia.

Grupo também tem negócios no Pará

Com a chegada à Capital e a aquisição da Rainha da Fronteira, companhia que fazia rotas na região da Fronteira Oeste, a empresa de Fleck firmou-se no mercado. Aos poucos, beneficiada pela melhoria e pela construção de novas rodovias, foi ampliando a quantidade de rotas, que hoje são mais de 20% do total do Estado.

Em 2006, a Ouro e Prata adquiriu a empresa Tapajós, no Pará, e começou a operar linhas rodoviárias e hidroviárias na região do Rio Amazonas. Com cerca de 40 ônibus e 13 barcos no Norte do país, o grupo gaúcho tem uma das linhas rodoviárias mais longas dentro do território brasileiro: a rota Porto Alegre—Santarém (PA), com 4,4 mil quilômetros de extensão e dois horários diários.

— Enxergamos naquela região uma boa oportunidade de negócios — observa Fleck.

No segmento hidroviário, o grupo também é responsável, no Rio Grande do Sul, pela travessia Porto Alegre—Guaíba, por meio dos catamarãs da empresa CatSul, outro braço do grupo. Atualmente, são dois barcos, mas um terceiro deverá ingressar na rota em breve. O veículo está sendo produzido no próprio estaleiro da empresa, na Ilha dos Marinheiros, na Capital.

A meta é de que os próximos barcos para as duas regiões atendidas sejam fabricados em solo gaúcho. Além disso, com a importação de tecnologia dos EUA e da Nova Zelândia, a Ouro e Prata pretende fabricar barcos de qualidade internacional em dois anos.

A preocupação com o bem-estar dos passageiros é um dos principais objetivos da empresa, que aplicou, no ano passado, cerca de R$ 30 milhões para a renovação de 25% da frota. Com isso, o tempo médio de uso dos veículos não supera os 3,5 anos. No total, a empresa conta com 220 ônibus.

Além das salas VIPs espalhadas em rodoviárias gaúchas, a companhia investe no serviço premium, direcionado para quem viaja a trabalho. Os ônibus oferecem poltronas mais espaçosas e conexão internet Wi-Fi.

— Mais do que qualquer coisa, é muito importante ter internet de qualidade dentro dos veículos, para que todos possam escolher seu próprio entretenimento, ou mesmo para trabalhar — salienta.

Outra preocupação é com a qualificação dos funcionários, especialmente dos motoristas. Por meio de uma escola própria, a empresa investe em treinamento para que os profissionais entendam as necessidades dos passageiros e auxiliem no uso das novas tecnologias a bordo.

Perfil

Fundação: 1939
Número de funcionários: 1,1 mil
Número de ônibus: 220
Número de barcos: 15
Faturamento previsto para 2013: R$ 200 milhões
Investimento na renovação de frota de ônibus: R$ 30 milhões/ano
Transporte de passageiros: 5,2 milhões/ano
Distância percorrida pelos ônibus do grupo: 36 milhões de quilômetros por ano

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