Mais dependentes12/03/2013 | 20h47Atualizada em 12/03/2013 | 22h42

Um quarto da gasolina que abastece o Estado vem de fora

Produção de combustível no Rio Grande do Sul recua, enquanto demanda deve continuar crescendo

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Um quarto da gasolina que abastece o Estado vem de fora Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Troca em tipo de petróleo processado na Refap e aumento da frota de carros e da renda elevam déficit Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

O déficit entre o consumo de gasolina A no Rio Grande do Sul e a produção local mais do que quintuplicou no ano passado. E, com a previsão de retomada da economia, a situação tende a se agravar em 2013.

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que, para atender as necessidades do Estado em 2012, vieram de fora 608,5 milhões de litros, um quarto da demanda gaúcha. No ano anterior, eram 18%. A gasolina A é misturada ao etanol – hoje na proporção de 20% – para se obter a gasolina C, vendida nos postos.

O aumento do déficit, explica o coordenador do escritório da Regional Sul da ANP, Edson Silva, se deve à queda na produção pela troca de tipo de petróleo processado na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas. A Petrobras passou a utilizar mais petróleo nacional, que, por ser mais pesado em comparação ao importado, antes misturado ao produto extraído no país, produz menos derivados.

Ano passado, mesmo com queda de 1,8% no PIB gaúcho, o consumo de combustíveis subiu 4,33%. Só na gasolina C o aumento chegou a 9,52%. Como para 2013 já existem projeções de que a economia gaúcha pode crescer até 6%, será preciso importar mais gasolina, já que não haverá aumento de produção pela Refap.

– O consumo de gasolina vai seguir crescendo porque a frota de automóveis vai continuar subindo, bem como a renda das famílias. No diesel, o aumento deve ser na mesma grandeza da expansão do PIB gaúcho – avalia Alisio Vaz, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes.

Para João Luiz Zuñeda, diretor da consultoria Maxiquim, o déficit ocorre porque o Brasil deixou de investir em processamento, apesar de ter descoberto o pré-sal.

– A Petrobras terá de importar ainda mais gasolina por um preço mais alto que vende aqui – observa.

Apesar do cenário, Silva não crê em problemas de abastecimento no Estado como em 2012, quando condições climáticas desfavoráveis impediram o descarregamento de navios no terminal marítimo de Tramandaí. Conforme Silva, a Petrobras aumentou a capacidade de armazenagem em Tramandaí, Osório e na própria Refap para se precaver de novas intempéries.

Utilização de etanol é a menor em uma década

Entre os principais combustíveis, o etanol registrou no ano passado a quarta queda consecutiva de consumo no Estado. Com apenas 115,2 milhões de litros vendidos, chegou ao mais baixo volume comercializado em uma década. Em relação a 2011, houve retração de 15,9%.

Para o coordenador do escritório da Regional Sul da ANP, Edson Silva, o Rio Grande do Sul deveria apostar na produção de cana-de-açúcar para aumentar a oferta do produto e diminuir o preço do combustível.

– Precisamos formular políticas públicas para o etanol no Estado. Aqui também temos uma das mais altas alíquotas de ICMS (para o combustível) no país – lembra Silva.

Para João Luiz Zuñeda, diretor da consultoria Maxiquim, o etanol no país ficou vinculado à política do governo federal de controlar o preço da gasolina, o que desestimula os investimentos na cultura.

Outro problema é que, muitas vezes, a produção de açúcar fica mais rentável em relação ao etanol, afetando a oferta.

Equilíbrio distante
O consumo total de combustível no Rio Grande do Sul aumentou em 2012, mas a produção estadual não acompanhou:

Volume total: 7,69 bilhões de litros
Variação sobre 2011: 4,33%

Por produto
Gasolina de aviação: 15,85%
Gasolina C: 9,52%
Querosene de aviação: 6,53%
Diesel: 3,18%
GNV: -1,75%
GLP: -2,25%
Etanol: -15,98%

O refino de petróleo aumentou...

Refap: 57,3 milhões de barris
2012/2011: 4,75%
Refinaria Riograndense: 5,8 milhões de barris
2012/2011: 6,49%

... enquanto isso, a produção de combustível caiu...

Diesel
Refap: 4,1 bilhões de litros
2012/2011: -6,6%
Refinaria Riograndense: 332 milhões de litros
2012/2011: -4,4%

Gasolina A
Refap: 1,69 bilhão de litros
2012/2011: -7,9%
Refinaria Riograndense: 165 milhões de litros
2012/2011: -15,7%

... e o déficit aumentou
Com a queda da produção de gasolina A, o déficit (relação entre o consumo gaúcho e a produção local) subiu mais de cinco vezes de 2011 a 2012, passando de 116,6 milhões de litros para 608,6 milhões de litros.

Fonte: ANP

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