O RS que dá certo23/03/2013 | 15h03

Se for preciso, a Cosuel encolhe o lucro para ajudar o cooperativado

A decisão de focar em apenas duas atividades, carne suína e laticínios, ajudou a dona da marca Dália a ser hoje uma das maiores cooperativas agrícolas do Estado

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Se for preciso, a Cosuel encolhe o lucro para ajudar o cooperativado Caco Konzen/Especial
Gilberto Antônio Piccinini, presidente da Cosuel, diz que atualmente a empresa concentra grande parte da venda para Rio de Janeiro e São Paulo e exporta para cerca de 12 países Foto: Caco Konzen / Especial

Entre as cooperativas gaúchas, é a Cooperativa dos Suinocultores de Encantado Ltda (Cosuel) que administra o maior abatedouro de suínos, cuja produção exibe com a marca Dália Alimentos. É sob o guarda-chuva Dália, também, que pretende crescer no segmento de laticínios e no varejo. A flor cujo nome batiza os alimentos da Cosuel foi sugerida como marca pela mulher de um dos 387 pequenos agricultores que criaram, em 1947, a cooperativa. O lema, na época, era "um por todos e todos por um", e foi importante após uma grave crise, entre 1970 e 1980. Foi a união do grupo que garantiu a continuidade da cooperativa, assegura Gilberto Antônio Piccinini, 53 anos, neto de um dos fundadores e que preside a Cosuel há 16 anos.

– O meu avô e os demais fundadores visitavam as comunidades montados em lombo de cavalos para convidar agricultores a se associarem. Eram imigrantes alemães e italianos que se dedicaram ao máximo para desenvolver um novo empreendimento – conta o empresário.

O esforço valeu a pena. Conforme o último levantamento, a cooperativa conta com mais de 3,6 mil associados e recebe, em média, 20 novos produtores por mês. Para fazer parte da Cosuel, o interessado paga uma cota única de R$ 200 e, a partir daí, pode usufruir de benefícios como desconto no supermercado e na farmácia da cooperativa, assistência técnica gratuita, garantia de compra de toda a produção e ainda pode participar das decisões, com direito a voto.

No entanto, para o presidente, um dos principais diferenciais da Cosuel em relação a outras cooperativas está no fornecimento, a preço de custo, de todos os insumos, tais como ração, sementes, medicamentos e utensílios necessários para que o agricultor mantenha a propriedade.

– É uma estratégia que vem dando certo. Diminuímos os custos para o produtor associado e aumentamos sua rentabilidade. Dessa forma, o lucro da empresa fica baseado na industrialização e na venda de produtos finais – explica Piccinini.

Segundo o empresário, a Cosuel deixou de lucrar cerca de R$ 7 milhões no ano passado devido ao valor mais baixo dos produtos fornecidos aos associados. No entanto, a visão da cooperativa é de que a empresa cresce quando o produtor cresce.

Em vídeo, Gilberto Antônio Piccinini, presidente da Cosuel, fala sobre o RS que dá certo

Impasse com falta de planejamento

Mas não foi só de flores a história da cooperativa. Cerca de 30 anos após a fundação, a cooperativa havia se desenvolvido muito, acumulado patrimônio social e econômico e atuava em mais de 10 segmentos diferentes. No entanto, o negócio acabou perdendo sua viabilidade econômica.

– Os produtores vendiam gado, leite, suínos, trigo, milho, uva, soja, erva-mate e outros, mas não em quantidade suficiente para suprir os clientes – recorda Piccinini.

A falta de planejamento estratégico, aliada à crise entre as décadas de 1970 e 1980, conduziu a cooperativa a um impasse. Assim, no início dos anos 1990, Piccinini participou, com outros líderes, de uma reestruturação.

Para dar a virada necessária à sobrevivência do negócio, conta que foram essenciais três fatores: redefinição de foco, com a opção por se manter em apenas dois setores – suinocultura e laticínios –, qualificação dos empregados e adesão ao Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP), que levou a uma nova forma de gestão profissionalizada, embasada no planejamento e na organização de metas.

Nos anos seguintes, a empresa foi crescendo e ganhando visibilidade. Entre os fatores que ajudaram na valorização da marca Dália, Piccinini afirma que está a implementação da rastreabilidade da suinocultura, o que garante maior confiabilidade do produto. Além disso, um programa de controle da produção leiteira, chamado de Vale dos Lácteos, acabou de ser lançado, visando a rastreabilidade da produção leiteira, incluindo o controle da qualidade dessa produção.

Nos últimos três anos, a empresa somou R$ 85 milhões em investimentos, que foram usados na construção da nova indústria de leite em pó e da fábrica de ração para bovinos, além da ampliação da indústria de leite UHT (longa vida) e no frigorífico.

Novos investimentos estão a caminho. Um deles é a construção do segundo Supermercado Dália, que deve estar concluído no final de 2013, em Arroio do Meio, com aporte de R$ 7 milhões, e se juntará a loja já aberta em Encantado. Além disso, está instalando uma nova indústria de leite UHT e uma processadora de leites especiais, que devem receber embalagens sustentáveis para diminuir os danos ao ambiente. A entrada no mercado deve ocorrer em abril.

Atualmente, a empresa vende seus produtos também fora do Estado e do território brasileiro: a marca Dália sai do Vale do Taquari para cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e desembarca, também, em cerca de 12 países.

Perfil da empresa
Fundação: 1947 (por imigrantes)
Descrição: a empresa se divide em dois principais segmentos: frigorífico e laticínios, que juntos somam mais de 15 produtos, além de trabalhar com supermercado e agropecuárias
Faturamento em 2012: R$ 615,4 milhões, crescimento de 21% em relação ao ano anterior
Estimativa de faturamento para 2013: R$ 845 milhões, crescimento estimado em 37%
Número de funcionários: 1,9 mil
Número de associados: 3,6 mil famílias produtoras das regiões do Vale do Taquari, Vale do Rio Pardo, Região Central e Nordeste
Unidades: sede em Encantado e ainda há duas indústrias em Arroio do Meio e duas unidades de recebimento em Guaporé e em Venâncio Aires
Previsão de expansão até 2014: chegar a R$ 1 bilhão em faturamento

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