Imposto polêmico17/03/2013 | 20h11

Presidente do Chipre defende imposto sobre depósitos

Acordo com a União Europeia foi feito para empréstimo de 10 bilhões de euros

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O presidente do Chipre, Nicos Anastasiadis, afirmou que havia escolhido a "opção menos dolorosa", ao defender neste domingo o acordo assinado no sábado com a União Europeia que estabelece um imposto sobre os depósitos bancários em troca de um empréstimo de 10 bilhões de euros. Na véspera de um debate parlamentar crucial, Anastasiadis disse esperar que o Eurogrupo estabeleça emendas às suas decisões nas próximas horas para limitar o impacto sobre os pequenos poupadores de uma taxa excepcional para os depósitos bancários.

Anastasiadis dirigiu-se à nação em um discurso solene, após ter chegado no sábado a um acordo em Bruxelas para um plano de resgate que prevê estabelecer uma taxa sem precedentes sobre as contas bancárias de todos os moradores da ilha. Com esta taxa espera-se arrecadar 5,8 bilhões de euros, segundo o Eurogrupo. "Escolhi a opção menos dolorosa e assumo o preço político por isso a fim de limitar na medida do possível as consequências para a economia e para os nossos compatriotas", afirmou Anastasiadis no discurso à nação, durante o qual assegurou ter "lutado até o fim" na cúpula do Eurogrupo.

O anúncio da taxa excepcional despertou a ira dos poupadores do Chipre, onde as autoridades tinham desmentido em várias ocasiões o boato de uma medida do tipo.

- Muitos países têm problemas econômicos mais graves que os do Chipre. Por que fazem isto somente com o Chipre? - queixava-se neste domingo um dentista, Andreas Hadgigeorghiou.

Segundo a emissora privada Sigma TV, estão em andamento negociações com o Banco Central para que os bancos permaneçam fechados na terça-feira, depois do feriado da segunda, para impedir que os cidadãos façam uma retirada maciça de recursos.

- Compartilho totalmente com o descontentamento por uma decisão difícil e dolorosa - afirmou o presidente, assegurando que continuava lutando para que o Eurogrupo estabeleça emendas às suas decisões nas próximas horas para limitar o impacto sobre os pequenos poupadores.

Os parlamentares se reunirão nesta segunda-feira para debater a ratificação do acordo, depois que a votação, prevista inicialmente para o domingo, atrasou. - Convoco os partidos e o Parlamento a tomarem uma decisão. Eu a respeitarei totalmente, no interesse do povo e do país - afirmou o presidente.

Até mesmo os aliados do presidente na atual coalizão governamental manifestaram reticências sobre o plano de resgate. O ex-presidente cipriota George Vassiliou, pró-europeu, pediu aos deputados que aceitem o acordo, afirmando que é o único aceitável para os países que administram os fundos, como a Alemanha.

Os provedores de fundos internacionais pediram ao Chipre que instaure um imposto excepcional e inédito de 6,75% sobre todos os depósitos bancários de menos de 100.000 euros e de 9,9% acima desta soma. Estas taxas, que devem arrecadar 5,8 bilhões de euros, serão aplicadas a todas as pessoas que vivem nesta ilha do Mediterrâneo oriental. Os ativos bancários do país são oito vezes superiores ao Produto Interno Bruto (PIB).

O Chipre, onde estão implantadas muitas empresas off-shore, tem os impostos sobre as empresas mais vantajosos da União Europeia. Por este motivo, a medida afeta também os milhares de expatriados britânicos e russos que moram e trabalham na ilha. Segundo estimativas citadas este domingo em Moscou, os capitais russos no Chipre chegam a, pelo menos, US$ 20 bilhões. Londres, por sua vez, anunciou uma compensação para os militares e funcionários britânicos que residem na ilha.

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