Apesar do anúncio de mais um reajuste no diesel nas refinarias este ano, a entidade que representa as empresas de transportes rodoviário de cargas no Estado vai sugerir que as associadas não repassem o novo aumento para custo do frete.
Desde esta quarta-feira o combustível está 5% mais caro, após a Petrobras ter anunciado no fim de janeiro reajuste de 5,4% no preço.
Se o aumento fosse repassado, o custo do frete no Estado ficaria entre 1,5% e 2% mais caro, estima o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), Sérgio Gonçalves Neto.
— A ideia em um primeiro momento é absorver este reajuste até para não ter o desgaste da renegociação com os clientes — diz Gonçalves, lembrando que esta será a sugestão da entidade, o que não elimina a possibilidade de empresas optarem pelo repasse.
A posição se deve à uma decisão da entidade, semana passada, que definiu sugerir às associadas aumento de 14,58% no frete a partir de março. O percentual considera o primeiro reajuste no diesel e questões como a lei do descanso dos motoristas, que conforme o setor eleva o tempo de entregas em outros Estados e traz a necessidade de contratação de novos motoristas. A correção ocorreria apenas em setembro. O diesel representa 32% do custo do transporte rodoviário.
Com o novo reajuste do diesel, o aumento no ano chega a 10,67%. Cálculos da NTC&Logística, associação nacional que reúne os transportadores, indica que o reajuste acumulado causa impacto médio de 3% no custo do frete no país. Para o diretor técnico da entidade, Neuto Gonçalves dos Reis, o efeito na inflação será limitado. Segundo ele, o custo do transporte nos preços dos produtos varia de 2% no caso de itens de alto valor agregado a 8% em básicos.
— Na média, é 4%. Assim, o impacto no preços seria de 0,12 ponto percentual.
Para o economista Salomão Quadros, da Fundação Getulio Vargas, a contaminação na inflação no atacado deve ser de 0,15 ponto percentual este mês e, no varejo, por enquanto, é difícil de ser projetada. Outra consequência deve ser uma pressão maior por reajuste nas tarifas de ônibus.
Influenciado mais pelo volume safra do que pelo diesel, o frete agrícola no Estado tende a subir pelo menos o dobro em relação ao custo médio do transporte. Este ano Rio Grande do Sul deve colher no ciclo de verão 25 milhões de toneladas de grãos, o segunda maior volume da história. Apenas na soja, a projeção é produzir mais do que o dobro.
— Em Estados como Goiás, o frete agrícola subiu 30% em relação ao ano passado. No Rio Grande do Sul também deve ser em torno de 30%, Não há disponibilidade de caminhões nem de motoristas — diz o presidente do Setcergs, Sérgio Gonçalves Neto.
Um pouco mais cauteloso devido à volatilidade do mercado, o gerente de Logística da Termasa Logística, Miguel Ferreira Gonçalez, prefere arriscar apenas que o aumento será superior a dois dígitos.
— A tendência é de um aumento do custo com frete entre o final de março e abril — sustenta.








