O RS que dá certo16/02/2013 | 14h02

Renner Herrmann se firma no mercado mundial

Hoje, a empresa tem unidades no Brasil e em mais cinco países: Chile, México, Estados Unidos, Itália e Espanha

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Renner Herrmann se firma no mercado mundial Diego Vara/Agencia RBS
Thomas Bier Herrmann, diretor-presidente, diz que a empresa inaugurou fábrica na Carolina do Norte (EUA) para aproveitar o momento de recuperação daquele país Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Há mais de oito décadas, surgia em Porto Alegre uma empresa que, além de fazer história no segmento nacional de tintas, avançou com firmeza no competitivo mercado mundial. A Renner Herrmann, conhecida até hoje como a "marca do cavalinho branco", foi fundada em 1927 com o nome de Renner Koepke & Cia. Ltda, no bairro Navegantes, uma sociedade entre Leopoldo e Waldemar Renner e um funcionário da empresa de tecelagem criada por A.J. Renner, Arthur Koepke.

Os sócios vislumbraram oportunidade de negócios no mercado nacional de tintas. Os produtos disponíveis na época custavam caro e tinham rendimento baixo. A primeira linha criada foi a das tintas Reko, associação com os nomes dos sócios.

O sucesso no mercado, somado à dificuldade de encontrar latas para armazenar as tintas, fez a empresa investir na compra de uma máquina de litografia. Além de baixar custos, a Renner passava a produzir suas próprias embalagens. A aquisição foi o primeiro exemplo de uma das práticas adotadas nos anos seguintes: a expansão a partir de incorporações.

Em 1941, a enchente que inundou a Capital atingiu a sede da empresa e fez com que a Renner deixasse o bairro Navegantes para se instalar no Passo D'Areia. Na mesma década, a razão social mudou para Renner Herrmann SA, devido às trocas na sociedade, ainda na década de 1930.

Waldemar e Koepke haviam deixado a empresa. A.J. Renner e sua irmã Olga Herrmann entraram no negócio. A conclusão da mudança para a sede da Avenida Assis Brasil terminou somente no início dos anos 1950. No novo local, a empresa manteve o modelo de gestão adotado antes, concedendo benefícios aos funcionários como creche e apoio nos estudos.

Dois fatos ajudaram a fixar a Tintas Renner no mercado gaúcho. O primeiro foi a escolha da marca. Disposta a ressaltar o nome da família (em alemão, Renner tem grafia parecida com a palavra para "corredor") e criar uma imagem de fácil associação, um cavalo branco em movimento foi o escolhido. O ícone tornou-se referência no segmento de tintas. Outro ocorreu nos 30 anos da empresa, em 1957, quando lançou um jingle em ritmo de samba, cuja frase Em matéria de pintura/ quem dá as tintas é Renner caiu no gosto popular e atravessou gerações.

A partir dos anos 1960, a Renner iniciou sua expansão para o resto do país, com a abertura de filiais em São Paulo, na Bahia e no Rio de Janeiro. Também comprou e se associou a outras empresas do segmento. A internacionalização da marca começou a partir da década de 1980, quando foi adquirida uma empresa de tintas no Uruguai.

Hoje, tem unidades no Brasil, no Chile, no México, nos Estados Unidos, na Itália e na Espanha e diversificou a atuação, chegando a setores de laticínios, plantio de madeira para exportação e embalagens metálicas para produtos químicos e alimentícios. Nessa área, está a única fábrica ainda em operação no Estado, em Gravataí.

Na empresa desde 1973, o atual diretor-presidente, Thomas Bier Herrmann, destaca que outro movimento importante ocorreu em 2007, quando a americana PPG comprou os direitos de uso da marca Tintas Renner.

— Todos acharam que estávamos deixando o segmento de tintas. Na verdade, passamos a atuar em linhas com tecnologia mais sofisticada e usamos os recursos para reinvestir na empresa — salienta.

Atualmente o escritório da capital gaúcha é um ponto de referência da empresa, mas as principais decisões são tomadas fora do Estado, conforme salienta o diretor-presidente.

— Conseguimos passar de empresa familiar para empresa profissional de uma forma tranquila — afirma.

Em 2012, a companhia inaugurou uma fábrica de 10 mil metros quadrados da Renner Sayerlack em Charlotte, na Carolina do Norte (EUA), para a produção de tintas para a indústria moveleira americana. Conforme Herrmann, a intenção é aproveitar o momento de recuperação econômica daquele país.

— Temos condições de atingir outro patamar e competir com os grandes líderes mundiais — projeta.

Com exportação para 80 países, a Tintas Renner procura manter o padrão do início da sua história e seguir adiante com a ideia mais popular do jingle famoso: dar as tintas para a todo o mundo.

 

Perfil

Fundação: 18 de junho de 1927, em Porto Alegre

Segmentos de atuação: tintas, laticínios, embalagens metálicas, plantio e produção de madeiras

Fábricas: 13, em seis países — Brasil (6), Chile (2), Itália (2), México (1), Estados Unidos (1) e Espanha (1)

Funcionários: 2,1 mil

Receita: R$ 1 bilhão

Empresas:

Renner Sayerlack (tintas)

Renner Coatings (tintas)

Metalgráfica Renner (embalagens metálicas)

Flosul Madeiras (florestamento e reflorestamento)

Relat Laticínios (transformadora de soro de leite líquido em pó para a indústria alimentícia)

 

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