No início do ano letivo, os estudantes gaúchos não enfrentarão sozinhos as agruras da matemática.
Acostumados a equilibrar as contas na ponta do lápis, os pais terão uma variável extra na equação orçamentária: um aumento médio de 9,26% nas mensalidades em pré-escolas e ensinos Fundamental e Médio.
Levantamento feito por Zero Hora a partir das 10 maiores instituições de ensino particulares no Estado em número de alunos detectou elevações de 7,68% a 11,49%. O percentual médio ficou 57,5% acima da inflação registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A variação é semelhante à apurada pelo Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado do Estado (Sinepe-RS) em pesquisa realizada em novembro e dezembro com 76 instituições da educação básica. O estudo prévio projetou reajuste nas mensalidades de 8% a 10%.
— Os custos que incidem na escola não têm como parâmetro a inflação. O projeto da instituição pode incorporar novas demandas, como ampliação de carga horária ou investimentos em tecnologia. Ou seja, a planilha é o conjunto de custos de um estabelecimento, o quanto a escola irá desembolsar para executar o projeto que pretende desenvolver em 2013 — explica Osvino Toillier, presidente do Sinepe-RS.
O aumento nas instituições de ensino gaúchas teve impacto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE. Em janeiro, chegou a 0,86%, maior alta para o mesmo mês desde 2003. Influenciada pelos números do Estado, a taxa do grupo educação do IPCA saltou de 0,19% em dezembro para 0,35% em janeiro.
De acordo com Toillier, um dos principais custos projetados pelas escolas decorre da ampliação da carga horária. A maioria das cerca de 450 instituições filiadas ao Sinepe-RS vem ampliando o turno ano a ano, resultando em maiores custos com profissionais e estrutura:
— O maior número de horas no currículo e no contraturno é uma demanda, um imperativo. Dificilmente uma escola trabalha com apenas um turno de quatro horas.
Para o Ensino Superior,
reajuste foi de 7,62%
A exemplo das instituições de educação básica, as 10 maiores universidades privadas do Estado também registraram aumento superior à inflação. Conforme levantamento de Zero Hora, a elevação média ficou em 7,62%. A exemplo do ano passado, a maior alta foi registrada na Universidade de Passo Fundo (UPF): 8,5%, ante 11,3% em 2012. A menor, de 6%, foi da Universidade Regional do Noroeste do Estado (Unijuí). No ano anterior, havia sido da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), com variação de 7,45%.
Segundo Osvino Toillier, presidente do Sinepe-RS, peculiaridades como maior número de estudantes e o fato de a matrícula ser realizada por disciplinas, de forma independente, colocam as universidades em vantagem na comparação com a educação básica, resultando em menores variações nas mensalidades:
— O Ensino Superior, pela sua amplitude, tem maior condição de busca de receitas fora da mensalidade escolar. E isso não ocorre ou é mais difícil na educação básica. Então, aí, temos uma realidade diferente.








