O consumidor já pode notar um desafogo no orçamento doméstico com a diminuição na conta da luz, em vigor desde 24 de janeiro. É pequeno, mas perceptível. Em Porto Alegre, a Fundação Getulio Vargas (FGV) constatou redução de 18,24% na tarifa de energia elétrica nos últimos 30 dias – a última medição foi em 22 de fevereiro.
Os descontos na tarifa de energia elétrica tiveram efeito, compensando as altas na alimentação (1,29%), gasolina (3,16%) e água e esgoto (5,51%). O coordenador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV na Capital, Marcio Mendes da Silva, diz que a redução na conta de luz teve influência de -0,48 ponto percentual no cálculo da inflação. Bem diferente da gasolina, que pesou 0,10 ponto percentual. Nos últimos 30 dias, a inflação foi de 0,40%. O índice de fevereiro será divulgado na próxima semana.
O que os números revelam, a auxiliar administrativa Mara Solange Godoy dos Santos, 45 anos, comprova na planilha que atualiza diariamente para controlar o orçamento da casa. A última conta da luz baixou para R$ 78, ante os R$ 103 da anterior.
– Quando o governo anunciou, não acreditei. Mas vejo que a conta diminuiu, realmente – afirma Mara.
Já os gastos com gasolina, cujo preço subiu em 31 de janeiro, foram absorvidos. Semanalmente, Mara desembolsa R$ 10 para abastecer a motocicleta com a qual vai trabalhar, mais R$ 30 no automóvel que usa com as filhas, Carol e Luiza.
– Com a gasolina, quase não notei a diferença – conta.
Empresários confirmam as vantagens da luz mais barata. Vice-coordenador do Grupo Temático de Energia do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado, Paulo Milano diz que a redução permitirá "certa folga" nos custos de produção.
– Pode ser o diferencial para melhorar a competitividade – destaca.
Milano aposta que alguns setores da indústria poderão até repassar o desconto na energia elétrica ao consumidor. Seria o caso das fábricas de plástico, interessadas em conquistar novos mercados:
– Vai depender da concorrência, mas acredito que possam repassar.
A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) também projeta mais competitividade. A especialista em estratégias da entidade, Tatiana Lauria, observa que o Brasil tinha uma das tarifas mais caras do mundo. Avalia que as mais favorecidas serão as indústrias do setor de alumínio, siderurgia e metalurgia.
O desconto
Confira a redução da tarifa de energia elétrica para os consumidores residenciais no Estado:
AES Sul: 23,62%
RGE: 22%
CEEE: 18,13%
Fonte: Aneel
Bandeira tarifária anularia ganho
O desconto que o governo federal concedeu na conta da luz poderia ser anulado por uma cobrança extra. A entidade Proteste alerta que se o sistema de bandeira tarifária for implantado, o consumidor terá acréscimos sempre que usinas térmicas forem acionadas.
As térmicas são operadas quando o nível dos reservatórios de água baixa, o que reduz ou impossibilita o funcionamento de hidrelétricas. Como a geração térmica impõe despesas adicionais, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) cobraria a diferença dos consumidores. Para a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, a medida é ilegal.
– Trará prejuízos ao consumidor – afirma Maria Inês.
O sistema de bandeiras tarifárias avisará o consumidor das condições em que recebeu a energia elétrica. Se for bandeira verde, não haverá acréscimo na conta. Se for amarela, o que indica situação pouco favorável nas hidrelétricas, a tarifa aumentará R$ 1,50 para cada cem quilowatt hora (kWh). Caso seja a vermelha, a taxa será de R$ 3 por 100 kWh consumidos.
A Aneel explicou que as bandeiras tarifárias estão em estudo de viabilidade. Informou que, se forem adotadas, será a partir de 2014. Neste ano, haverá testes. Agora, na simulação da agência, a bandeira é vermelha para o Rio Grande do Sul.
Donos de indústrias já reclamam dos custos da energia gerada por usinas térmicas. A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) calcula que a cobrança extra anulou o desconto dado pelo governo, referente a fevereiro.
O que fazer para economizar
A conta da luz baixou, mas convém não descuidar nas medidas para reduzir o consumo. Observe algumas sugestões:
Eletrodomésticos em geral
Desligue da tomada os aparelhos que não estão em uso. Na posição stand-by, representam entre 10% e 15% do consumo da casa.
Refrigeradores
Não abarrote as prateleiras. Deixe espaço entre os alimentos para facilitar a circulação do ar.
Regule o termostato para que esfrie menos no inverno e quando estiver com poucos alimentos.
Troque a borracha de vedação da porta sempre que preciso.
Instale em local ventilado e longe do fogão.
Quando passar muito tempo fora de casa, esvazie e desligue a geladeira. Não esqueça de secá-la para que não crie mofo.
Ferro de passar roupa
Não use nos horários de pico (18h às 21h) para não sobrecarregar a rede elétrica.
Passe várias peças de uma vez. O consumo de energia maior é para aquecer o ferro.
Ar-condicionado
Mantenha janelas e portas fechadas quando o aparelho estiver funcionando.
Nem sempre faz calor suficiente para ser preciso ligar o ar-condicionado. Em geral, um ventilador de teto é ideal para refrescar o ambiente e gasta 90% menos energia.
Combinar os dois é boa ideia. Regule o ar-condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.
No escritório, desligue o ar-condicionado uma hora antes do final do expediente. Num período de oito horas, isso equivale a 12,5% de economia diária. Além do mais, ao entardecer, o calor ameniza.
Fonte: Proteste Associação de Consumidores, de São Paulo













