Dragão vivo04/02/2013 | 22h53

Inflação sobe em janeiro e já preocupa para o ano inteiro

Mercado financeiro eleva a projeção de aumento de preços para 2013 pela quinta vez consecutiva

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Depois de um ano marcado pelo baixo crescimento da economia e por uma inflação acima do centro da meta, o aumento de preços volta a preocupar já no início de 2013. O mercado financeiro aumentou, pela quinta semana consecutiva, a expectativa para a inflação deste ano, conforme divulgou ontem o Banco Central (BC).

Além disso, o Índice de Preços ao Consumidor — Semanal (IPC-S), que mostra o comportamento dos preços neste primeiro mês do ano, teve alta de 1,01% entre as sete capitais pesquisadas.

— Em 2013, a pressão inflacionária vai ser maior — afirma Fernando Ferrari, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em Porto Alegre, o IPC-S fechou janeiro com alta de 0,92%, menor que a média nacional, mas ainda assim considerada elevada. Para efeito de comparação, em dezembro o aumento chegou a 0,34%.

Os três grupos que mais pesaram no bolso do consumidor porto-alegrense foram despesas diversas, impulsionado pelo aumento do preço do cigarro, educação, motivada pelas mensalidades dos cursos de Ensino Superior, e alimentação, puxada pela batata-inglesa.

Também chamou atenção a escalada do preço de hortaliças e legumes, que em um ano subiram 50,11%, enquanto a média na capital gaúcha avançou 5,75%.

Alface, cebola e tomate mais caros

Só no mês de janeiro, esse grupo de alimentos teve alta de 16,7%, puxado por alface (21,62%), cebola (19,47%) e tomate (15,37%).

— Aumento de mensalidades, por exemplo, já é algo esperado em janeiro. Agora, aumento acentuado de preços de alimentos que estão no período de safra, como alface e tomate, assusta — afirma Marcio Mendes da Silva, coordenador da Divisão de Gestão de Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) na Capital.

Marcio Mendes da Silva comenta no vídeo abaixo sobre a inflação em janeiro

Alta deve ficar acima do centro da meta

Especialistas avaliam que alcançar o centro da meta de inflação, os 4,5%, não é a maior preocupação do governo federal atualmente. Há pelo menos três anos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para esse objetivo, termina dezembro acima dos 4,5%.

— A inflação deve variar entre 5,5% e 6% em 2013. Com certeza, o Banco Central não vai deixar ultrapassar o teto da meta, que é de 6,5% — afirma Fernando Ferrari, professor de economia da UFRGS.

Na avaliação de Rafael Costa Lima, professor da economia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do IPC-Fipe, a maior flexibilidade no controle de preços arranha a credibilidade do governo e prejudica sua política econômica. Para o economista, o intervalo de tolerância na meta de inflação, de dois pontos percentuais para baixo e para cima, deveria ser menor para mostrar mais transparência.

— Dependendo do comportamento da inflação nos próximos meses, a taxa básica de juro pode voltar a subir. Mas isso é uma medida paliativa. Para a inflação cair realmente, vai ser preciso mais rigor no controle dos gastos públicos — ressalta.

Na avaliação de economistas consultados pelo Banco Central, a taxa básica de juro subirá daqui a um ano. Atualmente em 7,25% ao ano, a Selic deve avançar para 7,50% em fevereiro de 2014, um mês mais cedo do que o estimado até semana passada, de acordo com a pesquisa Focus divulgada ontem. Pelos cálculos, o juro básico encerrará o ano de 2014 em 8,25% ao ano.

Em alta
A expectativa de inflação para 2013, entre economistas, analistas de mercados e instituições financeiras consultados pelo Banco Central, aumenta cada vez mais:

2012
30/11: 5,40%
7/12: 5,40%
14/12: 5,42%
21/12: 5,47%
28/12: 5,47%
2013
4/1: 5,49%
11/1: 5,53%
18/1: 5,65%
25/1: 5,67%
1/2: 5,68%

A meta
O centro da meta de inflação do Banco Central para 2013 é 4,5%. É medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA. Há uma margem de dois pontos percentuais, ou seja, se a inflação ficar entre 2,5% e 6,5%, a meta será cumprida.

Inflação em Porto Alegre subiu 0,92% em janeiro (medido pelo IPC-S, da FGV). Confira o que mais pressionou:

Para cima
Batata-inglesa: 25,23%
Cigarros: 13,29%
Ensino Superior: 6,45%
Show musical: 5,28%
Excursão: 5,09%

Para baixo
Passagem aérea: -13,93%
Tarifa de energia residencial: -4,81%
Computador e periféricos: -3,23%
Gasolina: -0,87%
Condomínio residencial: -0,76%

Nos últimos 12 meses, o que mais pressionou em Porto Alegre são os grupos alimentação e despesas diversas:
Despesas diversas: 19,88%
Alimentação: 10,92%
Educação, leitura e recreação: 7,05%
Saúde e cuidados pessoais: 5,66%
Habitação: 3,73%
Transportes: 1,49%
Vestuário: -0,18%
Média: 5,75%

A diferença entre os índices. Como a inflação fechou em 2012:

IPCA
5,84%
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo é usado como base para a meta de inflação e, por isso, considerado a "inflação oficial" do país.

INPC
6,20%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor é usado em negociações sindicais e pelo governo para repor as perdas com inflação.

IGP-M
7,82%
O Índice Geral de Preços do Mercado serve como referência para reajustes de contratos de aluguel.

IPC
6,98%
Mais antigo indicador de inflação da Região Metropolitana do Estado, o Índice de Preços ao Consumidor — Porto Alegre é calculado pelo Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas da UFRGS.

IPC-S
5,74%
O Índice de Preços ao Consumidor — Semanal é divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a cada sete dias em sete capitais, incluindo Porto Alegre.

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