Efeito do dragão08/02/2013 | 21h44

Inflação alta expõe conflito na equipe econômica do governo

Divergência entre presidente do BC e ministro da Fazenda eleva incerteza sobre freio aos preços

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Menos de 24 horas depois que Alexandre Tombini, presidente do Banco Central (BC), admitiu preocupação com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, o mais alto desde abril de 2005, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não ver motivo de alarme.

A diferença de tom eleva a incerteza sobre qual será a estratégia do governo para combater a alta de preços, embora analistas já considerem alívio nos impostos, elevação de juro e dólar mais barato.

Num momento em que até a permanência de Mantega no governo está em discussão – apesar da garantia oficial de manutenção no cargo até 2014 –, a diferença de tom dos dois principais integrantes da equipe econômica aumenta as especulações sobre como o governo vai combater a alta de preços. Uma tática foi adiantada pela presidente Dilma Rousseff e seria anunciada logo após o Carnaval: a redução de impostos sobre produtos da cesta básica.

No entanto, dólar e juro também provocam debate entre economistas. Mantega assegurou que o governo não deixará que o dólar volte ao patamar de R$ 1,85 e está disposto a intervir no mercado de câmbio para impedir que isso ocorra. Na sexta-feira, BC ofereceu contratos que equivalem a compra de dólares no mercado futuro e garantiu fechamento estável da moeda.

Se for necessário, o ministro afirmou que poderá voltar a elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de dólares no país. No mercado financeiro, juros futuros cederam na sexta-feira, depois da forte alta do dia anterior. Outro índice de inflação divulgado na sexta-feira mostrou desaceleração na média, de 1,01% para 0,88%, mas Porto Alegre foi a capital em que os preços mais subiram: 0,93%.

Opções de combate
Visões antagônicas aumentam especulações sobre a estratégia de combate à inflação:

Elevação de juro
Na cartilha clássica, inflação alta se combate com aumento da taxa básica de juro. O que se diz, porém, é que a presidente Dilma não quer perder terreno numa conquista difícil, a poda das taxas para o consumidor. No mercado, as negociações de juros futuros já têm valores maiores.

Quem ganha: quem pretende aplicar dinheiro nos próximos meses. A próxima reunião do BC que poderia elevar o juro básico ocorre em 6 de março.
Quem perde: quem precisa recorrer a financiamento, que poderá enfrentar custo maior.

Freio no câmbio
Uma das causas da inflação mais alta é a elevação do dólar frente ao real, associada à percepção de que o BC havia definido um apertado intervalo de flutuação. Dólar mais caro eleva o custo de importados e de produtos que têm cotação internacional. No primeiro sinal de alarme com a inflação, o dólar cedeu.

Quem ganha: quem tem viagem ao Exterior marcada para os próximos meses, importadores e empresas que dependem de insumos importados.
Quem perde: exportadores, produtos que concorrem com importados ou têm dívidas a receber em dólares.

Alívio nos impostos
No Planalto, está em estudo uma redução ou até retirada de impostos sobre alimentos, especialmente os da cesta básica. Com menor tributação, o custo tenderia a cair, aliviando a pressão sobre a inflação. Há dúvidas, porém, se o repasse ao preço final é garantido.

Quem ganha: empresários e consumidores em geral.
Quem perde: o governo pode ter novas reduções de arrecadação.

Aposta na luz
Uma das teses de quem não considera a situação tão alarmante é o fato de que, a partir de fevereiro, os índices de inflação vão refletir a queda de 18% nas contas residenciais de luz, além de possíveis efeitos da redução da conta de energia das empresas, que pode se traduzir em preços menores de produtos.

Quem ganha: empresários e consumidores em geral.
Quem perde: as empresas de geração e distribuição de energia.

Comentar esta matéria Comentários (13)

Rafael

O castelo de sonhos da DINASTIA PETISTA, esta começando a desmoronar, oque parecia estar fincado em base solida, virou castelo de areia; agora só esta faltando chegar um TSUNAMI!

10/02/2013 | 11h14 Denunciar

Valdivino Nascimento da Silva

No Brasil ainda temos um resquício do oportunismo inflacionário. Toda vez que reajusta o salário mínimo, antes e depois tem aumentos de preços, agora pra piorar vem um aumento da gasolina no início do ano. É necessário uma ação mais enérgica e competente por parte do Governo. Isso já tava resolvido.

10/02/2013 | 11h01 Denunciar

Valdivino Nascimento da Silva

Podem até não concordar, mas que o ex-presidente do BC Henrique Meireles está fazendo falta, isso é fato. Nos dois mandatos de Lula o Brasil fez progressos jamais vistos nesta área e esse partido que agora quer governar pela porta dos fundos foi o responsável pela sua saída. Abra o olha Presidenta.

10/02/2013 | 10h27 Denunciar

Mario

De que adianta reduzir impostos da cesta básica se os comerciantes(empresários)esses maus patriotas movidos pela ganancia fizer o mesmo como fizeram com o IPI,uma maq de lavar que dois dias antes custava R$999 no dois dias depois com o IPI passou a mesma passou para R$1.999 com IPI ficou + caro.

09/02/2013 | 21h17 Denunciar

Mario

Infelizmente o governo implementa seus programas para conter,o avanço da infração mas não fiscaliza,vejamos o aconteceu com o IPI.Os empresários montaram uma verdadeira farsa em torno do IPI e os consumidores cairão nesta arapuca dois dias antes pesquisei todos os sites os preços eram menores.

09/02/2013 | 21h07 Denunciar

José Gonçalves de Sá Neto

A equipe economica do nosso país continua como as anteriores, brincam de baixar e subir juros, taxar com iof, e tudo paliativo sem base solida. Se querem uma economia autonoma e independente do sistema economico internacional ou globalizado, tem incentivar a produção e não encle-la de impostos.

09/02/2013 | 15h42 Denunciar

José Gonçalves de Sá Neto

Contador, ex-bancário, larga experiência em finanças e financiamentos habitacionais.

09/02/2013 | 14h41 Denunciar

jose carlos salles

A ptezada acabou com o Brasil.

09/02/2013 | 11h55 Denunciar

Valdivino Nascimento da Silva

Pelo visto o nosso Goiano, Henrique Meireles já está fazendo falta no Governo. E por outro lado o PMDB está jogando contra geral: eleger quem já está enlameado por dirigir as duas casas do congresso. Mas o pior de tudo é que foram eleitos pelos demais e olha que tem gente muito melhor ali no senado.

09/02/2013 | 11h40 Denunciar

MARIO C. GASPERI

Nunca vi tanta ingenuidade A equipe do governo ter duvidas de que isentar a cesta básica dos impostos o consumidor não seja contemplado,é um absurdo, essa gente pensa que o leite vem do boi e não da vaca. Uma medida dessa ajuda e muito para tornar ricos cada vez mais ricos e pobre cada vez mais pobr

09/02/2013 | 10h28 Denunciar

Fábio

Basta o Gov fazer a lição de casa. Parar de ser assistencialista e procurar incentivar o trabalho, reforçando os investimentos e a produtividade e extinguindo doações e apoios às ONGs, MST etc.

09/02/2013 | 09h43 Denunciar

Antonio

Qualquer um sabe que aumentando os combustíveis, os repasses são imediatos e em percentual sempre maior. Logo, a inflação de 2013 será cruel e vamos continuar a pagar caro pela ineficiência da administração da Petrobrás.

09/02/2013 | 09h40 Denunciar

HILTON C FRABONI

O PT herdou este modelo, que era eficiente no seu tempo, mas que agora, não funciona por si somente. A incompetência é tamanha que eles estão totalmente sem rumo e divididos entre os interesses eleitoreiros e os econômicos. A encruzilhada se resume a SE CORRER O BICHO PEGA E SE FICAR O BICHO COME

09/02/2013 | 07h43 Denunciar

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