Quem tenta navegar pela internet móvel já teve ímpeto de jogar o celular longe depois da enésima tentativa frustrada. Quem nunca apelou para esse gesto extremo já foi obrigado a outro exercício: o da paciência.
Depois da primeira avaliação trimestral do Plano Nacional de Ação de Melhoria da Prestação do Serviço Móvel Pessoal (SMP) divulgada na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), comprovou a dificuldade de navegar na rede móvel, cresceu a cobrança das entidades de defesa do consumidor.
— Os problemas continuam. Há necessidade de investimento das empresas e de acompanhamento da Anatel. São imperativos. O plano (de melhoria) pode estabelecer nova rotina para a fiscalização, mas ainda temos muito a avançar — diz Veridiana Alimonti, advogada do Idec.
Uma navegação bem-sucedida depende de acesso à rede, estabilidade do serviço e velocidade de tráfego. Nas redes móveis, o primeiro quesito ainda é o grande problema.
A combinação da falta de acesso em muitas regiões às quedas de navegação mantém a internet móvel entre as principais reclamação aos órgãos de defesa do consumidor:
O plano de melhoria do serviço móvel foi apresentado em agosto passado, depois da suspensão de venda. A partir do plano de melhoria, o órgão regulador se propôs a acompanhar o desempenho de rede e de atendimento aos usuários, as interrupções do serviço e os investimentos das empresas durante dois anos. A cada três meses, a Anatel divulgará avaliação como a da semana passada.
O problema, diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, é que o plano não resolve o dilema: enquanto corre o prazo de adequação das operadoras, os clientes continuam sem os serviços contratados.
— O que vem ocorrendo é que reiteradamente a Anatel não pune as empresas. Isso não resolve o problema do consumidor. Os serviços continuam abaixo da meta, prejudicando o cliente, que é obrigado a pagar as contas em dia mesmo sem ter o serviço contratado.
Titular de dezenas linhas móveis, o representante comercial Ubiratan Freitas, de Gravataí, já protocolou várias reclamações sobre a má qualidade da internet móvel na Anatel. Segundo Freitas, que costuma veranear em Mariluz, no Litoral Norte, o serviço fica ainda pior no verão, quando a população das cidades litorâneas aumenta, sobrecarregando a já deficiente estrutura das operadoras na região.
— A internet é extremamente abaixo da crítica. Se a gente quiser abrir algum site mais pesado, não tem jeito. É pior ainda nos feriados.
Representante de três empresas de vestuário feminino, Freitas diz já ter sofrido prejuízos em razão das falhas nos serviços de telefonia e, principalmente, de internet.
— Deixei de fazer vários pedidos para um representante em Cidreira, porque ele precisa me repassar esses pedidos pela internet e, frequentemente, fica sem internet móvel. Já perdi vários negócios por causa disso.
A partir dos dados divulgados pela Anatel — apenas nas cidades com mais de 300 mil habitantes —, ZH elaborou quadros comparativos, demonstrando o desempenho das quatro operadoras de internet móvel (Claro, Oi, Telefônica Vivo e Tim) nas principais cidades do Estado e do país. A Claro foi a única das empresas a atingir as metas no Estado. A Vivo não alcançou o percentual mínimo de acessos apenas em Caxias do Sul.
A Oi não conseguiu atingir a meta de 98% de acessos bem-sucedidos em Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul e Pelotas. A Tim ficou abaixo do mínimo exigido em Canoas e Pelotas e também na média das cidades gaúchas, além de não ter atingido o patamar básico proposto no que se refere às quedas de conexão — em todos os municípios, o percentual foi superior a 2%.









