Mesmo sem acordo na definição do preço, produtores já iniciaram a venda do tabaco da atual safra. Entidades que representam os fumicultores pedem um reajuste de 8,25% no valor pago no ciclo 2011/2012.
O preço do quilo de tabaco é negociado ao final de cada ano e leva em conta o custo da produção (veja quadro). Com a demora nas negociações com as indústrias, alguns fumicultores decidiram iniciar a venda mesmo sem ter o acordo, ao qual estão atreladas uma série de garantias, além do reajuste do valor. Morador do interior de Sinimbu, no Vale do Rio Pardo, Eloi Parnow, 51 anos, já vendeu 4,6% dos 50 mil pés de fumo cultivados na propriedade de três hectares.
— É bom para conseguir um pouco agora, mas o preço está muito abaixo do que eu queria — reclama Parnow, que até o momento colheu apenas metade da produção.
Segundo o agricultor, a indústria com a qual tem contrato pagou 7% a mais por quilo de fumo do que na safra passada. No entanto, Parnow esperava que o reajuste chegasse a, pelo menos, 10%. O restante da produção, só será comercializado após o término da colheita, no início do próximo ano.
Conforme o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, a estratégia de vender parte da produção, mesmo sem a definição do preço, é comum e não costuma trazer prejuízo ao produtor, já que historicamente as fumageiras pagam a diferença caso a proposta de reajuste aumente com o desenrolar das negociações.
— A pior parte é a apreensão. Os agricultores ficam trabalhando sem saber quanto ou quando vão receber — esclarece Werner.
Para as empresas, a demora para chegar a um acordo pode levar a um atraso na compra do produto. Duas rodadas de negociação entre a Comissão Interestadual dos Fumicultores e as indústrias já foram feitas, além de algumas reuniões individuais, mas não houve acordo. Não existe previsão de que isso aconteça e é possível que nenhuma ou apenas algumas companhias assinem o protocolo. Na safra passada, apenas uma indústria assinou.
Caso fosse aceito o reajuste de 8,25%, o preço do quilo do fumo do tipo virgínia, que é plantado em 85% das lavouras do sul do país, passaria de R$ 6,55 para R$ 7,09. Entretanto, o valor não foi aceito por nenhuma das empresas, que ofereceram aumento entre 6% e 7%.
— As indústrias não estão valorizando o trabalho do fumicultor, mesmo diante de uma safra com mercado positivo, com câmbio favorável, estoques baixos, safra de ótima qualidade e expectativa recorde de exportação — pondera Werner.
Gerente de assuntos corporativos da Souza Cruz, Carlos Roberto Vieira Palma garante que a proposta feita até o momento mantém as margens de lucro dos produtores, mas ressalta que o setor ainda está em negociação.
— Além de mantermos o lucro do produtor, proporcionamos durante todo o ano tecnologias que elevam a produtividade das lavouras e diminuem os custos de produção — acrescenta Palma.
Em nota, a JTI informa que propôs um reajuste que levou em consideração a variação do custo de produção apurada com os integrados.













