Prejudicada pelo clima, a safra de trigo do Rio Grande do Sul teve quebra de 31,29% em 2012 segundo o levantamento da Emater divulgado nesta quinta-feira. Com uma colheita total de 1,88 milhão de toneladas, as geadas tardias no final de setembro prejudicaram a cultura.
Em 2011 a colheita chegou a 2,74 milhões de toneladas do cereal. A estimativa inicial era de uma safra de 2,54 milhões de toneladas. Além da geada, o atraso no plantio por causa da seca prolongada e o excesso de chuva no período da colheita também foram fatores considerados determinantes para a quebra conforme os técnicos da Emater e da Embrapa Trigo.
Além da perda da produção, a produtividade foi reduzida de uma estimativa inicial de 2,56 mil quilos por hectare para 1,91 quilos por hectare. Parte da produção colhida teve perda de qualidade. De acordo com o chefe-geral da Embrapa Trigo, Sergio Dotto, cerca de 60% do trigo colhido tem qualidade suficiente para a indústria de panificação, o que estará ajustado com o consumo anual do cereal no Rio Grande do Sul, de 1,1 milhão.
— Temos que lembrar que parte deste produto já estava destinado para exportação e também vai para moinhos de outros Estados. Mas há a compensação com a importação de trigo dos países do Mercosul — salienta Dotto.
Para poder cumprir a demanda do ano, as indústrias de trigo estão planejando importar o produto de outros mercados fora do Mercosul, como os Estados Unidos. Para isto, terão que pagar uma tarifa de 10%. Conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo do Estado, José Antoniazzi, o setor pede ao governo a isenção da taxa.
— Além do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai também sofreram com problemas climáticos e devem reduzir as exportações aqui para o Brasil. Teremos que encontrar outros vendedores, o que encarece nosso custo — ressalta Antoniazzi.
Apesar das perdas, os técnicos acreditam que os produtores devem se manter animados para o plantio da cultura em 2013 por causa da boa perspectiva apontada para a safra de verão que deverá se recuperar depois da quebra do período passado.
— Existe uma expectativa favorável para a safra de verão com boa produção e renda, pois o clima e os preços estão ajudando até o momento. Isto reflete na hora de o produtor pensar também a safra de inverno — avalia o diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus.













