Turbulência a bordo17/01/2013 | 22h47

Plano de fechar o aeroporto Salgado Filho causa controvérsia

Novo terminal seria viável se aeroporto atual deixasse de operar, aponta estudo

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A alternativa de encerrar as operações do Salgado Filho, para viabilizar a construção de um novo aeroporto na Região Metropolitana, causou controvérsias entre especialistas e empresários. Enquanto dois terminais não conseguem entrar numa equação econômica, as incertezas quanto às condições de mobilidade e a sobreposição com o futuro terminal de Caxias do Sul reforçam a defesa de manter o aeroporto em Porto Alegre.

Na quarta-feira, representantes do governo gaúcho e de entidades empresariais receberam da consultoria PricewatershouseCoopers (PwC) um estudo que considera a construção de um novo aeroporto na Região Metropolitana como a única saída para suportar o crescimento do número de passageiros e de cargas no Estado. O que dividiu opiniões foi a premissa para tanto: encerrar as operações do Salgado Filho.

– O Rio Grande do Sul não tem movimento suficiente de passageiros ou cargas para sustentar dois aeroportos na mesma região, é inviável economicamente – reforçou Carlos Biedermann, sócio para a Região Sul da PwC (veja entrevista abaixo).

Apesar dos argumentos econômicos apresentados pelo estudo, empresários da Capital não receberam bem a alternativa apresentada. Ainda ontem, representantes do Sindicato dos Bares e Restaurantes de Porto Alegre se reuniram com o presidente da Câmara de Vereadores, Thiago Duarte.

– Não somos contra a construção de um terminal em outra cidade, desde que não tenhamos de abrir mão do Salgado Filho – disse Duarte.

Para o especialista em aviação Respício do Espírito Santo, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a decisão de construir um novo aeroporto e encerrar as operação de outro depende da demanda e da destinação dada aos terminais.

– Aeroportos engolidos pela cidade não são nenhuma novidade. Em alguns casos, se opta por transferir todas as operações e em outros, por manter as duas. A escolha é relativa – disse Espírito Santo, citando o aeroporto da cidade americana de Stapleton, no Estado do Colorado, que tinha terminal perto do centro e investiu em um novo a dezenas de quilômetros.

O diretor do Departamento Aeroportuário do Estado, Roberto de Carvalho Netto, reagiu com indignação ao estudo que apontaria sobreposição entre o aeroporto do estudo e o futuro terminal de Vila Oliva, em Caxias do Sul.

– É o discurso liberal contra o discurso estatista. A visão do empresário vai querer um só aeroporto na Região Sul, e de preferência que seja dele. Agora, na visão de Estado, o que importa é a necessidade da população – disse Carvalho Netto.

Entrevista: Carlos Biedermann, sócio para a Região Sul da PricewatershouseCoopers (PwC)

Zero Hora – O fim do Salgado Filho gerou opiniões contrárias. Como o senhor vê essas manifestações?

Carlos Biedermann – Com o tempo estimado para construir um novo terminal, de 10 anos, o Estado terá condição de criar um sistema de locomoção viável para passageiros e cargas. Estamos diante de uma oportunidade ímpar de resgatar o atraso que ficou em relação a outros Estados no setor aeroportuário. Haverá tempo para fazer obras e não sentir tanta saudade do Salgado Filho.

ZH – O projeto de um novo aeroporto na Região Metropolitana se sobrepõe à construção de um terminal em Caxias do Sul?

Biedermann – Não tenho dúvidas que sim, com sobreposição de cargas e passageiros. A existência de dois aeroportos na mesma região, ou relativamente próximos, dificulta a atração de investimentos e o retorno econômico.

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