Caso da vaca louca04/01/2013 | 21h41

"O Brasil vai fazer valer seus direitos", avisa ministro sobre reações de países que restringiram compra de carne

Em entrevista ao Grupo RBS, Mendes Ribeiro Filho avalia que armazenamento é um gargalo da agricultura brasileira

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"O Brasil vai fazer valer seus direitos", avisa ministro sobre reações de países que restringiram compra de carne Carlos Silva/Mapa,Divulgação
Foto: Carlos Silva / Mapa,Divulgação

Depois de despachar durante 10 dias na Superintendência do Ministério da Agricultura em São Paulo e passar o fim de ano no Rio Grande do Sul, o ministro Mendes Ribeiro Filho retoma as atividades em Brasília. Em entrevista ao Grupo RBS, falou sobre o embargo à carne bovina e as ações de reforço na fiscalização sanitária nos Estados. Também destacou a previsão de colheita de uma supersafra, em meio à promessa de orçamento para manutenção de preço mínimo ao produtor.

Zero Hora – O Brasil realmente estuda a possibilidade de entrar com contencioso na Organização Mundial de Comércio contra os países que embargaram a carne bovina devido à confirmação do caso não clássico da vaca louca?
Mendes Ribeiro Filho – Olha, não existe vaca louca no Brasil. Existem alguns interesses que nós sabemos como são omitidos, e existe uma postura brasileira que mostrou para o país inteiro a seriedade da nossa defesa. Nossos patamares estão mantidos, nosso reconhecimento internacional também está mantido (a classificação sanitária de risco insignificante concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal), e o Brasil vai fazer valer seus direitos.

ZH – O senhor está com um trabalho forte de intensificar a vigilância sanitária. As ações começaram no Rio Grande do Sul e vão se estender para outros Estados?
Mendes – A defesa precisa ser feita e esse trabalho em consonância com os Estados. O Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) é a participação dos municípios que pode ocorrer por meio dos consórcios, como no Rio Grande do Sul. E já começamos a desenvolver o assunto em São Paulo, também em Mato Grosso e vamos avançar para Santa Catarina e Paraná, a fim de que possamos ter já no primeiro semestre um retrato do Brasil bem identificado por aquele que produz. O Plano Pecuário Nacional, isto é produção. E tratando do plano, tratamos de defesa e iremos mostrar a seriedade com que este trabalho está sendo feito no Brasil por determinação da presidente Dilma.

ZH – A União está disponibilizando recursos para o governo estadual intensificar a fiscalização?
Mendes – Os governos estaduais estão colocando sua parte de recursos para mostrar que é um assunto que interessa tanto ao município quanto ao Estado e à União.

ZH – Com a perspectiva de que o Brasil colha neste ano mais uma supersafra, que tipo de preocupação o governo federal está tendo para amparar o produtor? E em relação à armazenagem?
Mendes – É preciso estender a mão para o produtor, e o armazenamento é um detalhe que preocupa a todos. É um gargalo da nossa agricultura e nós já nos preparamos para que este ano tenhamos ações concretas, objetivas, para facilitar a armazenagem do produto que tem sido tão bem trabalhado pelo nosso agricultor.

ZH – Vão ser construídos novos armazéns em regiões que são novos celeiros ou que estão precisando de espaço para estocagem?
Mendes – Já está definido pela Conab, por toda uma estrutura administrativa que o ministério montou, pontos onde precisaremos de armazenagem. No caso do Centro-Oeste, da Região Sul e, assim, de forma gradual, onde houver necessidade.

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