Mais água no caldo13/01/2013 | 22h41

Feijão ficará até 8% mais caro

Ingredientes como o avanço da soja e o aumento da importação ajudam a explicar a alta do produto

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Feijão ficará até 8% mais caro Roberto Witter/Agencia RBS
Com a redução de área plantada no Estado, nem mesmo o ganho em produtividade conseguiu compensar no resultado final da produção do grão Foto: Roberto Witter / Agencia RBS

Embora o preço da saca de feijão esteja em alta, é a soja que atrai os produtores nesta safra. O resultado é que um dos pratos mais típicos do brasileiro ficará até 8% mais caro para o consumidor.

Conforme o gerente-executivo da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Francisco Schmidt, o feijão terá entre 5% e 8% de reajuste nos próximos 30 dias. O percentual dependerá da negociação com fornecedores.

Não é de hoje que o feijão vem perdendo a preferência dos produtores. O mercado não é tão atraente como o da soja, por exemplo, e o grão não é considerado de fácil cultivo.

Por isso, enquanto a soja avança, com expectativa de colheita recorde de 12,19 milhões de toneladas no Estado neste ano, a produção de feijão toma caminho inverso.

Para o engenheiro agrônomo da Emater Alencar Rugeri, nem mesmo o aumento expressivo no preço da saca de 60 quilos – que saltou de R$ 108 para R$ 123 de um dia para o outro na semana passada – será suficiente para estimular os produtores e evitar a tendência de substituição.

– Os agricultores têm optado pela soja, com valorização mais garantida. Se há um aumento muito expressivo da safra de feijão, o preço da saca vai lá para baixo, e o produtor quer se proteger dessa volatilidade – afirma.

O analista de mercado Farias Toigo alerta para outra influência no preço do feijão: a importação da China.

– Com o grão vindo de fora, qualquer alteração no câmbio mexe com o valor final do produto – explica.

Desde o ano passado, os preços para o consumidor vêm crescendo: depois de queda de 11,05% em 2011, o feijão- preto teve aumento de 44,2% em 2012 no país, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na Capital, segundo o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe), o feijão-preto teve alta de 42,81% de janeiro a novembro de 2012. O preço médio do quilo era R$ 4,03 em novembro de 2012, e R$ 2,82 um ano antes.

Menos espaço na lavoura gaúcha
Com a redução de área plantada no Estado, nem mesmo o ganho em produtividade conseguiu compensar no resultado final da produção do grão:

Área (em mil hectares)
1980/1981: 207
1990/1991: 226,4
2000/2001: 151,5
2010/2011: 92,4
2012/2013*: 75,7

Produtividade (em quilos por hectare)
1980/1981: 638
1990/1991: 560
2000/2001: 964
2010/2011: 1.341
2012/2013*: 1.292

Produção (em mil toneladas)
1980/1981: 132
1990/1991: 126,7
2000/2001: 146
2010/2011: 123,9
2012/2013*: 97,8

*Estimativa

(Fonte: Conab)

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