11/01/2013 | 12h12

Despesas pessoais sobem e alimentam a inflação em 2012

Itens como gastos com manicure, cabelereiros e empregados domésticos fizeram o IPCA registrar aumento de 5,84% no ano passado

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Despesas pessoais sobem e alimentam a inflação em 2012 Caco Konzen/Especial
Maior procura por manicures e cabelereiros fez preços de serviços aumentarem Foto: Caco Konzen / Especial

Com a maior alta dentro da inflação no ano passado, as despesas pessoais desbancaram os gastos com alimentação na variação de preços e confirmaram o reforço no poder de compra dos brasileiros. Depois de pressionar o custo dos alimentos, a renda maior da população faz os serviços que vão desde gastos com empregados domésticos e hotéis até com manicures e cabelereiros aumentarem a pressão na inflação.

Em 2012, a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,84%, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os grupos de gastos pesquisados pelo IBGE, o de despesas pessoais registrou a maior variação, 10,17%, após fechar em 8,61% no ano anterior.

— Ao ganhar mais, o brasileiro passou a ter mais condições de demandar esses serviços que, consequentemente, tiveram alta de preço — diz Irene Maria Machado, gerente de pesquisa do IBGE.

Para manter o empregado doméstico, as famílias pagaram 12,73% mais em 2012. O item foi líder na relação dos principais impactos individuais. Conforme Irene, esses trabalhadores estão cada vez mais escassos, o que aumenta a remuneração.

Na relação de gastos pessoais, também tiveram forte alta os preços de hotéis, costureira, manicure e cabelereiro. Mesmo percebido, o aumento não diminuiu a procura. Muito pelo contrário.

— Notei que o preço subiu, mas não deixo de fazer a unha toda a semana. A questão não é apenas de vaidade, mas de manter uma boa aparência — afirma a bancária Helenara Pletz, 35 anos.

Controle na ponta do lápis

A psicóloga Marion Kravetz Schartz, 59 anos, também vai ao salão de beleza regularmente. Uma vez por semana para fazer unhas e pelo menos uma vez por mês para retocar a cor do cabelo:

— Posso deixar de comprar uma roupa mais cara, mas não deixo de fazer esses serviços. Dou muita prioridade para a minha aparência.

No salão de beleza que frequenta no bairro Moinhos de Vento, zona nobre da Capital, a movimentação diária de clientes aumentou em pelo menos 25% no último ano, relata o cabelereiro Matheus Tauber, proprietário do estabelecimento:

— Costumo dizer que no mercado da beleza não existe crise. As pessoas podem se privar de outras coisas, mas não de se sentir bem visualmente.

O grupo de alimentação e bebidas, que tem o maior peso na composição do IPCA e por meio do qual as famílias mais percebem o peso da inflação, também subiu no período: 9,86%.

O peso maior das despesas pessoais no bolso do consumidor, aliado à disposição cada vez menor de abrir mão desses serviços, pode tornar obrigatório o recálculo de gastos para evitar o estouro do orçamento.

— Uma boa dica é fazer um levantamento das despesas, das básicas às dispensáveis — orienta o educador financeiro Edward Cláudio Júnior.

Com os gastos de alimentação, moradia, vestuário, água e luz detalhados no papel, o consumidor pode saber o quanto poderá ser destinado a outras despesas — sem entrar no vermelho.

O educador financeiro reforça que pequenos ajustes podem fazer a diferença, especialmente na hora de gastar naquilo que realmente é importante. Conforme o Instituto Akatu, o brasileiro desperdiça em média 30% dos serviços que consome.

— Uma boa experiência é fazer uma análise dos serviços contratados, de televisão por assinatura a planos de celular, e verificar o que realmente está sendo usado. Pode parecer chato, mas é uma medida eficiente — conclui Cláudio Jr.

IPCA - O "oficial"

Embora o Brasil não tenha índice oficial de inflação, essa condição foi atribuída ao IPCA, calculado pelo IBGE por servir de referência para o Banco Central acompanhar o sistema de metas de inflação. É mais abrangente: mede a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários.

INPC - O dos salários

Também calculado pelo IBGE, tem fórmula e períodos de pesquisa semelhantes ao IPCA, com uma diferença: mede a variação de preços do consumo de famílias com renda de até cinco salários. É usado em negociações sindicais e pelo governo para repor as perdas com inflação.

IPC (Dieese) - O democrático

Calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mede variação de preços apenas no município de São Paulo. É calculado em três extratos: o primeiro até três salários, o segundo até cinco e o terceiro, para famílias com ganho de até 30 salários.

IGP-M - O do aluguel

Calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é composto por três diferentes subíndices: ao produtor (peso de 60%), ao consumidor (peso de 30%) e na construção civil (peso de 10%). Como pesquisa preços no atacado, é mais sensível a altas e baixas na cotação do dólar.

IPC (Iepe) - O metropolitano

Mais antigo índice de inflação da Região Metropolitana de Porto Alegre, é calculado pelo Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas da UFRGS. Tem levantamentos semanal e mensal, para famílias com renda de até 21 salários mínimos, R$ 14.238 a valores de hoje.

IPC-s (FGV) - O rapidinho

Tem levantamento semanal e intervalo curto entre o fim da coleta de preços e a divulgação, de apenas um dia. Mesmo calculado a cada sete dias, mede a variação das quatro últimas semanas até a data de fechamento. É feito pela FGV em Porto Alegre e outras seis capitais.

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