O país precisará de novos aeroportos no entorno das capitais para atender ao aumento de demanda nos próximos anos, disse Wagner Bittencourt, ministro da Secretaria da Aviação Civil.
Bittencourt citou o caso do Rio Grande do Sul, que poderá ganhar uma nova estrutura aeroportuária, apesar de contar com o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. O ministro participou na segunda-feira de entrevista na sede regional da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), referente à operação conjunta de fiscalização da aviação geral no Estado do Rio de Janeiro.
— Nós estamos conversando com o Estado desde 2011 e não só com o Rio Grande do Sul, mas em relação à necessidade de outros aeroportos em capitais. A demanda tem crescido muito no país e com isso a nossa infraestrutura dos grandes e médios aeroportos começou a ficar lotada. Nos próximos anos, digamos 10 ou 15 anos, vamos precisar desenvolver aeroportos em algumas capitais do país. Tem alguns aeroportos, como é o caso (do Salgado Filho) de Porto Alegre, que estamos avaliando potenciais locais adequados — disse Bittencourt.
O ministro acrescentou que Rio e São Paulo não estariam dentro das capitais que demandarão novos aeroportos, mas citou o caso de capitais nordestinas em que as atuais estruturas aeroportuárias não permitem, pela localização, a extensão das pistas.
— Nós vamos ter que identificar novos terrenos e planejar a construção e viabilização desses novos aeroportos — afirmou.
Bittencourt explicou que a construção de um novo aeroporto, no caso de Porto Alegre ou de outras capitais, não vai significar a desativação ou regionalização do aeroporto antigo.
— O aeroporto (Salgado Filho) tem qualificação para ser importante. Se você olhar, existem grandes capitais, e talvez a tendência seja esta, que podem ter mais de um aeroporto. Não é porque tem um que o outro é desativado — disse.
O ministro disse que a proposta gaúcha foi trazida pelo próprio governo do Rio Grande do Sul, mas não determinou prazo para o início das obras.
— Obviamente tem que haver estudo técnico da melhor localização, que envolve a situação do terreno, questão de mobilidade e até de ventos. Estamos avaliando para saber qual a melhor alternativa. Não temos necessidade de decidir tudo este ano, mas se conseguirmos estocar, desenvolver e preservar a área [do futuro aeroporto] será bom — afirmou.
O diretor-presidente da Anac, Marcelo Guaranys, disse que há estimativas de que em apenas cinco anos dobre a movimentação nos aeroportos brasileiros, que hoje é 180 milhões de passageiros embarcados e desembarcados, o que dá uma média de praticamente um bilhete por pessoa, em relação à população.
Segundo ele, há 10 anos, a média era apenas 0,3 passageiro por habitante do país, número que passou para 0,6 em 2007 e 0,9 em 2012. Nos Estados Unidos, em nível de comparação, a relação é três passageiros embarcados e desembarcados por habitante.
— Nosso mercado cresceu muito nos últimos anos, mas ainda tem espaço para crescer mais — disse Guaranys.
Durante a operação conjunta, que também teve o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e Polícia Federal (PF), foram acompanhados e fiscalizados 1.243 movimentos de aeronaves, com o registro de 3,5% de irregularidades, desde problemas com documentação até falhas em manutenção. As ações ocorreram em sete aeroportos do Estado do Rio, envolvendo 220 servidores.









