Alta nos postos30/01/2013 | 23h15

Aumento da gasolina supera o previsto

Apesar de Mantega dizer que alta não passaria de 4% para consumidor, preço subiu 6,6% nas refinarias

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Aumento da gasolina supera o previsto Cristiano Estrela/Agencia RBS
Gasolina tem peso de 4% no orçamento das famílias brasileiras Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

No primeiro dia após o anúncio de aumento dos combustíveis no país, 70% dos postos pesquisados por Zero Hora em Porto Alegre aumentaram o preço da gasolina nas bombas.

O reajuste médio foi 6,6%, uma alta de R$ 0,18 por litro — acima dos 4% estimados pelo governo como impacto aos consumidores.

Confira o preço do litro da gasolina comum e do diesel em postos da Capital em pesquisa realizada por ZH nesta quarta-feira (30).

Dos 30 estabelecimentos visitados pela reportagem, 11 informaram alta de R$ 0,20 no litro da gasolina. Proprietário de um posto de combustível na zona Sul da Capital, Martin Tutton trocou as tabelas de preço na tarde de ontem, após a entrega da primeira carga reajustada na refinaria.

— Por enquanto, aumentei R$ 0,10 o litro. Conforme os cálculos dos custos e margem de lucro, poderei subir mais na próxima semana — disse Tutton.

Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a alta nos postos de combustíveis não passaria de 4%.

— Faz muitos anos que o preço da gasolina está defasado em relação à inflação. É uma pequena correção que não vai atrapalhar ninguém — disse.

Depois de ver os primeiros reajustes de preço no país, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo vai fiscalizar o repasse:

— O governo concedeu aumento de 6,6% e vai fiscalizar rigorosamente. Não pode chegar a esse patamar. Se chegou, é irregular.

Na tentativa de atenuar o impacto do aumento do combustível nas refinarias no preço nos postos, o ministro Lobão informou que o governo vai antecipar em dois meses o aumento da mistura do etanol na gasolina de 20% para 25%. Prevista para junho, começará a valer em 1º de maio. Em 2011, o percentual de álcool adicionado à gasolina teve redução de cinco pontos por causa da falta de etanol.

A Fecombustíveis (entidade nacional dos postos) informa que o percentual do repasse depende de fatores como concorrência, demanda e variações de margens de lucro de postos e distribuidoras.

A alta nas bombas poderia ser menor que o aumento de 6,6% repassado às refinarias porque o combustível recebe uma adição de 20% de álcool nos postos, produto com preço menor. Mas, na prática, essa não deverá ser a regra.

— Muitos postos aproveitam para repor a margem de lucro, já que o preço é livre. Por isso, o aumento médio deve ficar acima do valor estimado pelo governo — disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Na inflação, a alta no entanto, tende a ser compensada pela queda nas contas de energia, avalia o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas:

— Não fosse a redução da energia, que supera o aumento da gasolina, o impacto na inflação seria bem mais apimentado.

Como o reajuste dos combustíveis afeta a vida dos brasileiros:

GASOLINA

Aumento de 6,6% na refinaria

Custo de vida

Gasolina tem peso de 4% no orçamento das famílias. O impacto vai depender do número de carros e da frequência em que são abastecidos

Inflação

Alta de 0,2 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)

DIESEL

Aumento de 5,4% na refinaria

Transporte de carga

Aumento de 2,5% a 3% nos fretes das transportadoras

Transporte público

Aumento impacta diretamente no preço das passagens de ônibus urbanos e interurbanos

Alimentos

O custo do transporte representa 2% no preço dos alimentos. Dessa forma, o aumento não deve passar de 0,1%. Produtos de perfumaria, limpeza e sacos plásticos deverão ter subir em média 4% pelo aumento do petróleo nas refinarias

Bens duráveis

Poderão sofrer impacto pela necessidade de ser transportado por meio rodoviário

Fontes: Fundação Getulio Vargas (FGV), Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) e Sindicato das Empresas de Transporte de Carga do Rio Grande do Sul (Setcergs)

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