O Rio Grande que dá certo05/01/2013 | 17h01

A gaúcha Memphis é alvo constante de assédio de gigantes do ramo

Neste ano, um dos objetivos da sexagenária é dar cara nova a tradicionais linhas de produtos para atrair os consumidores mais jovens

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A gaúcha Memphis é alvo constante de assédio de gigantes do ramo Diego Vara/Agencia RBS
André Nedeff Dall'onder, diretor de vendas e marketing, diz que a Memphis deverá investir R$ 10 milhões em 2013 e 2014 para elevar a produtividade Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Assim como a personagem cercada por rosas que lembra uma princesa de conto de fadas e há mais de seis décadas simboliza a linha Alma de Flores, ícone da perfumaria brasileira, a gaúcha Memphis pouco precisou mudar para resistir. E, mais do que perseverar, assegurar crescimento em um mercado dominado por concorrentes multinacionais e bilionários.

Nascida em 1949 pelas mãos empreendedoras do imigrante Carlos Lutz, alemão que chegou jovem ao país fugindo da II Guerra Mundial, a Memphis conservou ao longo dos anos a essência tanto de seus sabonetes e desodorantes quanto a de um negócio familiar.

Novamente a exemplo dos produtos que fabrica, como os também tradicionais Senador e 4 Estações, bastaram retoques para a empresa garantir o quinto posto entre as maiores do setor no país, suplantada apenas por gigantes como Unilever, Colgate-Palmolive, Flora (do grupo JBS) e Nívea.

Embora integrantes da terceira família ocupem posições de liderança na empresa, a Memphis caminhou para a adoção de uma gestão mais profissionalizada, partiu para um conselho com membros independentes e a publicação de balanços auditados.

Empresa pretende ampliar as opções de produtos em 2013

Por ser a maior empresa sob controle familiar brasileira no ramo de higiene pessoal, setor que no país cresce a altas taxas devido ao avanço da renda do brasileiro, a Memphis é alvo constante de assédio de grupos maiores, admite André Nedeff Dall'Onder, diretor de vendas e marketing da companhia.

— Sofremos assédio como toda empresa nacional, sólida, lucrativa e bem posicionada no mercado — confirma André.

Mas a família decidiu resistir. E não ceder também à guerra fiscal que impera entre os Estados brasileiros. Mesmo que na ponta do lápis uma mudança sugira vantagens, a Memphis também não cede às recorrentes cantadas de governos do Sudeste e do Centro-Oeste para, em troca de polpudos incentivos tributários, transferir a produção das fábricas de Porto Alegre, onde também está a matriz, e Portão, no Vale do Sinos.

— Decidimos nos manter no Rio Grande do Sul. Ficar e garantir a competitividade aqui — explica Dall'Onder.

Para continuar rivalizando com grupos maiores, além de apostar em nichos e valor agregado, a Memphis vai investir R$ 10 milhões em 2013 e 2014 para elevar a produtividade e melhorar processos nas fábricas.

Em outra frente, será aberto este ano em Extrema (MG) o quinto centro de distribuição no Brasil — os outros estão em São Paulo, Rio, Bahia e Paraíba. Outra ofensiva da Memphis será repaginar este ano toda a linha Senador, além de ampliar o leque de produtos — hoje cerca de 200, divididos sob oito marcas.

Por trás da decisão de arejar as linhas tradicionais, como a recente transição nas embalagens da Alma de Flores, sem ferir a identidade da marca, está a constatação de que, apesar da proteção de um público fiel mas maduro, é preciso certa dose de renovação para também atrair o consumidor mais jovem e garantir a perpetuação e a saúde financeira da empresa. Assim, a Memphis pretende garantir suas essências.

Perfil

— Fundação: 1949

— Principais marcas: Alma de Flores, Senador, Biocrema, 4 Estações e Ann Bow

— Produtos: sabonetes, desodorantes, talcos, hidratantes e deo colônias

— Fábricas: Porto Alegre e Portão

— Funcionários: 300

— Faturamento: R$ 120 milhões em 2012 e projeção de crescimento de 20% este ano

 

 

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