Efeito pesado05/12/2012 | 22h21

Pacote do governo beneficia indústria gaúcha

Juro do BNDES diminui e crédito para máquinas é estendido para aumentar os investimentos

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Como o segmento de máquinas pesadas é significativo na indústria gaúcha, as medidas anunciadas nesta quarta-feira pelo governo federal são muito positivas para o Estado, avaliaram líderes do setor produtivo que estavam ontem em Brasília para um encontro nacional do setor. O juro para investimento de longo prazo cairá a partir de janeiro e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) será mantido durante todo 2013, com recursos de R$ 100 bilhões.

– Um ano assim dá condições melhores para o empresário programar o investimento e, como no Rio Grande do Sul as fábricas de máquinas pesadas são muito representativas, é muito positivo para nós – disse Heitor José Müller, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).

A análise de Müller foi compartilhada pelos presidentes dos sindicatos das indústria de máquinas agrícolas, Cláudio Bier, e do setor metalmecânico, Gilberto Petry. Segundo Bier, neste ano, quando o juro do PSI caiu para 2,5%, os bancos que repassam as linhas de crédito do BNDES se tornaram muito seletivos na concessão de crédito:

– Só deram dinheiro para clientes AAA (de baixíssimo risco), porque o ganho deles também ficou baixo. Com 3%, ainda é bom. A indústria vai se beneficiar, agora sem os picos provocados pela aproximação do fim do prazo do PSI.

Criada em 2009, essa linha tinha renovações constantes e chegou a provocar congestionamento de pedidos numa das vésperas de vencimento. Uma das maiores vantagens, destacaram os industriais gaúchos, é a previsibilidade, um atributo sempre defendido por empresários.

– Fica mais perene – avaliou Bier.

Apesar de aprovar as medidas, os gaúchos ainda manifestam cautela para projetar seus efeitos reais.

– Não sei se serão suficientes para estimular o investimento, porque as empresas estão com as margens muito apertadas – destacou Petry.

– Depende da situação da empresa e do estado de espírito do empresário. Não existe empresário medroso, mas uns são mais ousados, e outros, mais cautelosos – arrematou Müller.

Além de ampliar em R$ 100 bilhões o crédito para estímulo ao investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo baixou, de 5,5% para 5% ao ano, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Trata-se da segunda rodada de medidas anunciadas no esforço de criar uma agenda positiva, após a divulgação do fraco desempenho da economia no terceiro trimestre.

Com o dinheiro, o governo espera elevar em 8% os investimentos, após cinco trimestres consecutivos de queda. Essa expansão ajudaria o país a crescer 4% no ano que vem, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O governo também vai bancar, como de costume, a diferença entre a taxa de juros praticada pelo BNDES e o custo de captação destes recursos, que em geral ronda o mesmo patamar da taxa Selic, hoje em 7,25% ao ano. Desde o início da crise, o Tesouro tem optado por vender papéis da dívida para levantar o dinheiro e "equalizar" a taxa, no jargão econômico. Questionado sobre quanto o BNDES vai precisar no ano que vem, Mantega disse que isso "não é um problema". Mas admitiu que o governo ainda não fez a conta.

Impulso para crescer
As medidas anunciadas visam a baratear o crédito e elevar o investimento do setor privado:

PSI
As linhas de crédito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) terão R$ 100 bilhões em 2013, dos quais R$ 85 bilhões serão do sistema BNDES, ao qual bancos públicos e privados credenciados podem ter acesso, e R$ 15 bilhões pela liberação de compulsórios. O compulsório é a parte dos depósitos que as instituições são obrigadas a manter no Banco Central.
Esse programa financia principalmente máquinas e equipamentos, peças e componentes, ônibus e caminhões e exportações. 
O programa atual, com condições especiais, venceria no fim de 2012 e foi prorrogado em mais um ano. 
A taxa para financiamento de bens de capital, equipamentos agrícolas, peças e componentes de fabricação nacional, ônibus e caminhões no primeiro semestre será de 3% ao ano, e no segundo, de 3,5% ao ano. Ou seja, negativos, se considerada a inflação.
A maioria das linhas de crédito terá prazo de 10 anos.

TJLP
Usada no pagamento de empréstimos do BNDES, a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) cairá de 5,5% para 5% ao ano a partir de janeiro. 
Se a inflação continuar girando acima de 5%, como ocorreu neste ano, isso indica que os juros ficarão negativos, ou seja, o banco estará "pagando" para conceder empréstimos. Significa que o contribuinte, por meio do Tesouro Nacional, estará subsidiando as empresas que utilizarem essa linha de financiamento.

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