Retrato de 201012/12/2012 | 23h02

Indústria e serviços elevaram PIB de municípios gaúchos

Entre as maiores cidades, Caxias do Sul, Gravataí, Rio Grande e Passo Fundo tiveram o melhor desempenho no ano de 2010

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O Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios gaúchos em 2010, divulgado nesta quarta-feira, mostra que 223 deles (45% do total) cresceram acima da média do Estado. Entre os 10 mais ricos, as melhores taxas pertencem a Caxias do Sul, Gravataí, Rio Grande e Passo Fundo, todos acima dos 20% de variação nominal.

Confira o desempenho dos municípios gaúchos em 2010.

Para elaborar o PIB municipal, a Fundação de Economia e Estatística (FEE) usou o critério da variação nominal, que não desconta a inflação do período. Esse cálculo é diferente do aplicado para o PIB estadual e nacional, que são reais por contabilizarem a inflação no resultado final. A FEE explicou que não pode utilizar o método convencional porque inexiste pesquisa de preços nos municípios.

Economistas da FEE, Juarez Meneghetti e Martinho Lazzari avaliaram como positivo o PIB gaúcho de 2010. A variação nominal, no Estado, chegou a 17%, na comparação com 2009. Se fosse descontada a inflação, seria de 6,7% – abaixo dos 7,5% do país.

Meneghetti e Lazzari analisaram que o desempenho da indústria e dos serviços garantiu o crescimento acima da média do Estado em 223 municípios. No Rio Grande do Sul, a indústria teve variação nominal de 16% em 2010, enquanto serviços alcançou 18,2%.

– 2010 teve crescimento expressivo, porque ocorreu depois da crise na indústria e nos serviços – disse Lazzari.

O lado menos alentador do levantamento aponta que 273 municípios (55%) cresceram abaixo da média estadual. Nessa lista figuram economias do porte de Porto Alegre, Canoas, Santa Cruz do Sul e Triunfo.

Entre os 273 municípios, 40 tiveram taxas negativas. A pior, de -39,1%, foi de Porto Xavier, na fronteira com a Argentina. Os economistas da FEE observaram que a maioria depende quase exclusivamente da agropecuária, sujeita a desastres climáticos.

– As menores taxas de crescimento, em 2010, foram decorrentes da agropecuária – informou Lazzari.

A FEE também publicou o PIB per capita dos municípios (divisão da riqueza na população). Triunfo, na região carbonífera, se mantém na liderança, em função do polo petroquímico: R$ 223 mil anuais por pessoa.

Caxias do Sul
Engrenagens puxam riqueza
Motor econômico de Caxias do Sul, a indústria foi o segmento que puxou o invejável crescimento de 27,9% no PIB municipal em 2010. Em seguida, vieram serviços e comércio. Conforme dados da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a massa salarial caxiense registrou expansão de 23,9%. Horas trabalhadas e compras e vendas industriais obtiveram escalada superior a 40%.

A engrenagem acelerada nos parques fabris resultou em oportunidades de trabalho. O ano de 2010 encerrou com 163.493 empregos em Caxias do Sul, com a geração de 13.763 vagas, 9,2% a mais do que no ano anterior. A indústria foi o setor que mais contratou, com aumento de 12,2% no volume de empregos.

Gravataí
Unidade da GM turbina disputa
A vocação para produzir automóveis garantiu a Gravataí o segundo lugar no ranking de crescimento do PIB em 2010, na disputa entre os 10 maiores municípios gaúchos. A variação nominal chegou a 22,2%, na comparação com o índice de 2009, segundo a Fundação de Economia e Estatística.

O desempenho agradou a empresários e a autoridades de Gravataí, na Região Metropolitana, mas não surpreendeu. O secretário municipal de Governo, Luiz Zaffalon, lembra que a economia vem "em permanente crescimento" com a chegada da General Motors.

Perto de 270 mil habitantes, Gravataí não padece com o desemprego. Zaffalon diz que empresários chegam a promover brindes e sorteios, em jogos de futebol e festas, para conseguir currículos de interessados.

Rio Grande
Polo naval faz a diferença
O crescimento de 21,4% no PIB de Rio Grande em 2010 está relacionado à expansão do polo naval. Para a construção de plataformas, a Quip foi uma das principais agentes de ofertas de empregos no município. Outras empresas ligadas à indústria naval, como a Engevix, também participaram desse aumento na oferta de trabalho.

Para Tiarajú Alves de Freitas, doutor em economia e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), as oportunidades geradas pelo polo geraram uma espécie de efeito em cadeia em outros setores, como imobiliário.

– Mais pessoas na cidade, mais ofertas de empregos, mais poder aquisitivo trouxeram também aumento de negócios, mas também encareceram os aluguéis, casas e diárias em hotéis – explica.

Passo Fundo
Duas fábricas na dianteira
Entre 2009 e 2010, pelo menos duas indústrias ajudaram a impulsionar a economia de Passo Fundo, e colaboraram com a alta de 21,3% no PIB de um ano para outro. As obras, as contratações e os negócios da BSBios e da Italac, no mesmo período, foram duas expoentes de uma onda de industrialização visível até hoje na cidade. Passo Fundo também comemorou recentemente a abertura de unidade de guindastes Manitwock e se prepara para os brindes que virão com a nova maltaria da Ambev, na sexta-feira.

– Temos buscado investimentos e, em troca, oferecemos terreno, terraplenagem, asfaltamento, logística e isenção no IPTU – diz o secretário de desenvolvimento econômico, Marcos Alexandre Cittolin.

Como reflexo do dinheiro injetado pelas indústrias, o setor de serviços também expandiu as atividades.

Colaboraram Rafael Divério, Silvana Toazza e Thiago Copetti

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