O Rio Grande que dá certo 15/12/2012 | 16h08

Fábrica de Erechim vai investir R$ 30 milhões em 2013

Dos serviços em eletricidade, mecânica e hidráulica, a Intecnial virou líder no mercado de equipamentos para produção de biodiesel na América do Sul

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Fábrica de Erechim vai investir R$ 30 milhões em 2013  Marielise Ferreira/agencia rbs
Foto: Marielise Ferreira / agencia rbs

O difícil contorno de uma crise vivida em 2007 fez a Intecnial, de Erechim, no norte do Estado, renascer. Depois de sofrer para atender exigentes prazos do mercado de biodiesel – como um contrato com a Petrobras, por exemplo –, a empresa reorganizou prioridades e investiu em qualificação. O resultado é a atual liderança no segmento de equipamentos para produção de biodiesel na América do Sul.

A Intecnial nasceu em 1968, na época Instaladora Técnica Industrial. Pequena, a empresa se dedicava a fazer instalações elétricas, hidráulicas e mecânicas para terceiros. Em poucos anos, começou a fabricar equipamentos e a montar instalações industriais. O segundo segmento cresceu tanto que em 1987 a empresa montou a Sul Montagens Industriais para executar projetos e montagens eletromecânicas sob encomenda. Enfim, a Intecnial passava a fabricar fábricas.

As parcerias estratégicas de tecnologia com a americana Crown, que vieram com a primeira exportação da Intecnial, em 1993, foram o pontapé para que a empresa se consolidasse como líder na América do Sul, com a fabricação da linha para processamento de biodiesel, com extração de óleo vegetal.

O esforço dos últimos 12 anos em parcerias e diversificação setorial rendeu uma série de trabalhos de grande porte, como plantas de papel e celulose em 2001 e o início de projetos em óleos vegetais no Brasil e na Argentina, dois dos maiores do mundo no setor.

Com o avanço da pesquisa no setor de biodiesel, em 2006, projetos logísticos de grande porte começaram a ser desenvolvidos e quatro plantas industriais foram instaladas para clientes: em Montes Claros (MG), Candeias (BA), Quixadá (CE) e na gaúcha Passo Fundo.

A estruturação das áreas de energia renovável, com etanol, biomassa e energia eólica, chegaram com a implantação de uma das maiores plantas de celulose do mundo. No entanto, a trajetória de crescimento da empresa não deixou a Intecnial livre das crises.

Um grande contrato com a Petrobras, em 2007, para atender ao mercado de biodiesel, provocou um dos maiores obstáculos vividos pela empresa, motivado por atrasos e renegociação de prazos.

– Cumprir prazos num contrato de alta exigência como os da Petrobras não é brinquedo – conta o diretor superintendente Fernando Becker.

A barreira motivou a empresa a adequar-se às exigências do cliente e do mercado. Com a crise contornada, a Intecnial se fortaleceu e ampliou a atuação em logística com a Petrobras para, em 2009, se qualificar em montagens industriais em óleo e gás. Gerar combustível de forma sustentável está entre os principais desafios industriais contemporâneos, abrindo espaço para os principais segmentos de atuação da empresa: agronegócios, energia e logística.

Focada em ampliar sua participação nos segmentos em que atua, a empresa voltou seus investimentos para aperfeiçoar a tecnologia dos processos e produtos que vende, como biocombustíveis e energias renováveis, responsáveis por uma significativa participação na receita da Intecnial. O segmento naval foi o que ganhou a maior atenção no último ano.

Apesar de estar na área há 10 anos, o trabalho em parceria com terceiros foi substituído pelos próprios estaleiros, onde começam a ser construídos barcos de médio porte, como os supply boats, com cerca de 90 metros de comprimento. São produzidos desde os mais simples rebocadores até embarcações para atender a trabalhos de derramamento de óleo, com alta tecnologia.

Assim, tiveram início as unidades da Intecnial em Taquari (RS) e em Navegantes (SC), com investimentos superiores a R$ 4 milhões para construção de barcos de suprimento de plataformas. Mas o investimento não para por aí.

Há três meses, a empresa anunciou investimento de R$ 30 milhões em 2013, para ampliar a planta industrial de Taquari, no polo naval do Jacuí, gerando mais 250 vagas. Além de outras embarcações, a Intecnial pretende construir módulos elétricos para plataformas de petróleo.

– É a parte nervosa da plataforma, o que nos leva de volta às origens da empresa, mas numa proporção gigantesca – comemora Becker.

Para o diretor da empresa, o que mantém a Intecnial em ascensão constante é o posicionamento estratégico com abrangência de várias frentes e a busca constante por novas tecnologias. Mas, acima disso, uma procura incessante por soluções para atender a qualquer demanda.

– É praticamente uma meta interna. A gente sangra, mas não deixa um cliente na mão – avalia Becker.

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