Faca na bota07/12/2012 | 17h21

Dilma rebate críticas a Guido Mantega e defende a situação econômica do país

A presidente reagiu a crítica de revista britânica à equipe de economia do governo brasileiro

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Dilma rebate críticas a Guido Mantega e defende a situação econômica do país J.J. Guillen/AFP
Foto: J.J. Guillen / AFP

A presidente Dilma Rousseff rebateu nesta sexta-feira o artigo da revista britânica The Economist, que sugere a demissão da equipe econômica brasileira, sob comando do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Dilma disse que não se deixará influenciar pela opinião de uma revista estrangeira e destacou que a situação nos países desenvolvidos é mais grave do que a do Brasil.

— Em hipótese alguma, o governo brasileiro, eleito pelo voto direto e secreto do povo, vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira — disse a presidente, antes do almoço oferecido aos participantes da Cúpula dos Chefes de Estado do Mercosul, no Itamaraty.

Segundo Dilma, o Brasil cresceu 0,6% no último trimestre e crescerá mais no próximo, o que não motiva a recomendação da revista.

— Não vi, diante dessa crise gravíssima pela qual o mundo passa, com países tendo taxas de crescimento negativas, escândalos, quebra de bancos, quebradeiras, nenhum jornal propor a queda de um ministro. — alfinetou.

Ao ser perguntada se a situação dos demais países era pior que a do Brasil, a presidenta foi enfática.

— Vocês não sabem que a situação deles é pior que a nossa? Pelo amor de Deus! Nenhum banco, como o Lehman Brothers, quebrou aqui. Nós não temos crise de dívida soberana, a nossa relação dívida/PIB é de 35%, a nossa inflação está sobre controle, nós temos 378 bilhões de dólares de reserva. — disse Dilma

A presidente reafirmou que é favorável à liberdade de imprensa, apesar de divergir do conteúdo publicado em alguns veículos. A reação de Dilma à publicação britânica ocorre em meio a discussões sobre regulação dos meios de imprensa na Argentina e no Equador, países cujos presidentes, Cristina Kirchner e Rafael Correa, respectivamente, estavam presentes nas reuniões de hoje.

— [Será que] tudo isso se dá porque os juros caíram no Brasil? Os juros não podiam cair aqui? Aqui tinha que ser o único, como dizia um economista antigo nosso [Delfim Netto], ou o último peru de Ação de Graças? — acrescentou a presidente, referindo-se à hipótese de o Brasil só ter condições de baixar os juros quando todos os países da região já tivessem feito.

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