Retomada30/12/2012 | 21h57

Ano para medidas produzirem efeitos

Especialistas veem perspectivas mais favoráveis para a economia

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O ano de 2012 chega ao fim com o inevitável sentimento de frustração, após nem as projeções mais pessimistas de 12 meses atrás cogitarem crescimento da economia brasileira inferior a 1%.

Na tentativa de reverter esse quadro, o governo federal faz da principal decepção a obsessão para 2013: aumentar os investimentos e a competitividade.

Há um ano, a maioria das previsões apontava PIB em torno de 3%. O governo era ainda mais otimista e apostava no percentual de 4%. Ao longo de 2012, no entanto, a projeção foi sendo revisada para baixo, fazendo acender o sinal vermelho na equipe econômica. Mas o que deu de tão errado para que os resultados ficassem tão distantes das projeções?

Somada à crise mundial, a resposta interna é atribuída às deficiências do país, que continuarão freando o crescimento mesmo quando o consumo estiver em alta e o cenário externo melhorar.

— Projetamos taxa de investimentos de 4%, e o ano fechou com queda de 2%. Esse desvio é resultado de uma série de fatores, que vão desde a incerteza da economia mundial até a baixa confiança do empresariado — explica Antonio Madeira, economista da LCA Consultores.

Os investimentos não deixaram de vir por falta de dinheiro, ao contrário do se possa pensar. O que faltou foi segurança para investir.

— Os investidores, que antes viam o Brasil como a galinha dos ovos de ouro, ficaram receosos. Empresas investem em cenários claros, sem risco de intervenções, sem contar que o Brasil ainda não fez as reformas necessárias — avalia Priscila Godoy, economista da Rosenberg Associados.

Recuperação das lavouras anima economia gaúcha

Também não foi por falta de incentivos ao consumo que o país deixou de crescer em 2012. Para tentar reanimar a economia, o governo prorrogou a redução de impostos para a indústria, baixou juros e facilitou acesso ao crédito. Se ainda restava alguma dúvida, a reação tímida sacramentou a ideia de que é preciso ir além. 

— Consumo sozinho não sustenta crescimento econômico — diz Priscila.

Convencido disso, o governo lançou uma série de pacotes para modernizar a infraestrutura, com a concessão de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, desoneração da folha de pagamento para indústria, além de determinar a queda nas tarifas de energia em 2013.

— Essas ações terão um efeito positivo no ano que se inicia, com retomada dos investimentos que nos fazem crer em perspectivas bem mais favoráveis — aposta Madeira.

No Rio Grande do Sul, há motivos ainda mais concretos para querer deixar 2012 para trás e saudar a chegada do Ano-Novo. No ano em que a estiagem reduziu a safra de grãos gaúcha quase pela metade e a indústria ficou estagnada, o Estado amargou resultados ainda piores do que a média do país. Com a recuperação das lavouras, o cenário tende a melhorar.

— Soma-se a isso, a manutenção dos bons indicadores dos serviços, puxados pelas vendas no comércio e pelo fortalecimento da renda — prevê Patrícia Palermo, economista-chefe da Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-RS).

Com estoques elevados, a indústria gaúcha espera a melhora do mercado externo para desafogar pedidos represados em 2012 – devido à recessão dos europeus e das barreiras comerciais argentinas.

— O ano de 2013 será chave para a economia, quando as medidas anunciadas poderão fazer com que investimentos sejam retomados — afirma André Nunes de Nunes, economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs).

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