O Rio Grande que dá certo08/12/2012 | 15h01

A Zeppelin Filmes ajuda a levar ao país os quadros mais belos do Estado

Fundada em 1991, a produtora começou fazendo comerciais de orçamento médio para empresas gaúchas

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A Zeppelin Filmes ajuda a levar ao país os quadros mais belos do Estado Adriana Franciosi/Agencia RBS
Annete Bittencourt, Rodrigo Pesavento, Ricardo Baptista e Rogério Souza são sócios na Zeppelin Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

A Igreja Luterana do Brasil tem sua sede em Porto Alegre em um complexo de prédios datados de 1906, de fachadas amplas e imponentes, distribuídos em um vasto terreno na Avenida Lucas de Oliveira. No local, também funciona uma escola de música clássica. Então, é comum circularem por entre os edifícios músicos engravatados, carregando seus violinos, cumprimentando respeitosamente os pastores a caminho do próximo culto.

Nesse cenário, que poderia muito bem lembrar uma Viena imperial do século 18, personagens bem menos convencionais também têm espaço. A cada par de minutos, jovens vestindo colorido, com piercing no rosto ou tatuagem carimbada na pele — ou as duas coisas —, irrompem, apressados, no pátio para chegar a tempo do próximo brainstorm ou buscar câmeras de última geração para rodar o novo comercial de Itaú, Petrobras, GM, Sadia ou outra grande empresa.

O prédio que procuram é o da produtora Zeppelin, que divide a área com os luteranos e os músicos. Quem adentra a sede da empresa pela primeira vez se impressiona. Transpassada a fachada tradicional, surge um ambiente à meia-luz, tomado por poltronas coloridas e murais com grafites em homenagem a ídolos pop. No último andar, uma pista de skate separa o salão com mesas e computadores da geração mais recente.

— Ninguém diria que aqui funciona uma produtora. É até mais seguro, espanta os ladrões — brinca Ricardo Baptista, diretor da Zeppelin.

Fundada em 1991, a produtora começou fazendo comerciais de orçamento médio para empresas gaúchas, mas não tardou para abocanhar sua primeira conta nacional. No ano seguinte, passou a atender à Pepsi — a estreia para todo o país mostrava a modelo Daniela Cicarelli descolando um beijo em um veranista em busca da última gota de refrigerante da praia.

— Rapidamente percebemos que teríamos de buscar contas em São Paulo para nos tornarmos uma produtora nacional, capazes de competir com as maiores do país — lembra Baptista.

Um escritório na capital paulista seria aberto apenas em 2001, mas antes disso a empresa já concentrava na cidade sua estrutura de atendimento e de relacionamento com as agências. Hoje, a Zeppelin paulista é um o coração comercial da empresa, para onde são transmitidos por fibra óptica e apresentados aos clientes os trabalhos rodados em Porto Alegre.

— A produção toda é feita no Estado, e assim queremos que permaneça. É o nosso grande diferencial — explica Baptista.

Ele argumenta que os comerciais da Zeppelin ganham imagens e cenários únicos por serem rodados fora do eixo Rio-São Paulo, onde são feitas nove em cada 10 produções que vão para a telinha. As filmagens em território gaúcho têm personagens, ambientes e até uma luz diferente em relação às propagandas que o brasileiro se acostumou a ver, e essa é uma boa forma de chamar a atenção do espectador e de anunciantes.

De quebra, a produtora ajuda a levar ao país os quadros mais belos do Rio Grande do Sul: imagens como as do viaduto Otávio Rocha, sobre a Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, e a orla do Guaíba foram mostradas em recentes comerciais de Volkswagen e Honda. Os morros de Torres coloriram propagandas do whisky Teacher's, filmadas em março, e os vinhedos de Bento Gonçalves foram cruzados por carros da Toyota em recente comercial.

A chegada das novas tecnologias e a compra de câmeras de última geração têm levado a Zeppelin a flutuar por outros ventos. Há três anos, a empresa criou o NúcleoZ, um braço para documentários e filmes, e passou a filmar séries para Fox, Discovery e History Channel. Também começou a investir em conteúdo de marca rodado em mídias alternativas: o filme de despedida do estádio Olímpico teve 400 mil visualizações em cinco dias no YouTube.

Perfil

— Produtora de comerciais, filmes e

documentários.

— Uma das três maiores produtoras do Brasil e entre as 50 do mundo, conforme revistas especializadas.

— Sede em Porto Alegre e escritório em São Paulo.

— No total, 300 pessoas trabalham na empresa, incluindo freelances. A maior parte está no Estado.

— Alguns dos comerciais rodados recentemente: Petrobras, Toyota, Itaú, Zaffari, Banrisul, Vivo, Coca Cola e Ambev.

 

 

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