O rumo para a adoção de profundas reformas no país está traçado, mas enfrenta obstáculos como os interesses corporativos e políticos, admitiu nesta quarta-feira o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que também preside a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo federal.
— Grandes mudanças são difíceis — reconheceu após palestra na sede da Federasul, na Capital.
Um dos exemplos está nas medidas tomadas no setor de energia elétrica, nas quais o governo prevê redução da conta para o consumidor a partir de 2013, mas que também envolve a antecipação da renovação das concessões das empresas do segmento. Para o empresário, não há necessidade de mudança no prazo final de adesão, prevista para 4 de dezembro.
— A alternativa que o governo tomou está tecnicamente correta. É evidente que, como a medida foi muito forte, há conflito de interesses. O prazo maior depende de uma análise política. A presidente, que domina a matéria, colocou a verdade na mesa — afirmou.
Na palestra, Gerdau disse que a recolocação do Estado entre os líderes econômicos nacionais passa por mais investimentos em gestão e a definição, pela sociedade e pelo poder público, de objetivos específicos a longo prazo.
Confira as recomendações de Jorge Gerdau Johannpeter para o Rio Grande do Sul voltar a ficar entre os líderes
Para o empresário, que preside o conselho de administração do Grupo Gerdau, o Rio Grande do Sul somente poderá desenvolver uma curva ascendente de desenvolvimento a partir de um tripé formado por logística competitiva, previdência pública equilibrada e a retomada da liderança na educação.
— Não é um canetaço do governador que vai resolver o problema. Primeiro, precisamos estabelecer onde queremos chegar para depois discutir como chegar. O processo vai levar anos e será feito passo a passo, mas é preciso defini-lo — avaliou.
Em sua palestra na entidade, Gerdau ainda sugeriu que o Estado intensifique, especialmente no setor de serviços, o uso das ferramentas de gestão pelo poder público para evitar o que considera "tolerância com a ineficiência absoluta".
— O setor público nada mais é do que um grande prestador de serviços — opinou.








