Ano perdido30/11/2012 | 18h28

Mau desempenho do PIB provoca onda de revisões de projeção para a economia

Resultado muito abaixo da expectativa no terceiro trimestre reduz estimativas de crescimento para este ano

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O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre foi muito pior do que o previsto pelo governo e pelo mercado, provocando uma onda de choque entre analistas econômicos e operadores do mercado financeiro.

Os juros futuros caíram, sinalizando a manutenção da Selic em 7,25% ao longo de todo o próximo ano. O PIB do terceiro trimestre derrubou as projeções de crescimento não só de 2012, como também de 2013. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, prevê agora crescimento de apenas 0,8% este ano, e as projeções tendem para o nível em torno de 1%.

Para 2013, já há uma onda de revisões para baixo, e alguns analistas creem que a previsão média migrará do nível em torno de 4% para 3% a 3,5%. Já se fala até de PIB abaixo de 3% em 2013.

O PIB cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre, na comparação (livre de influências sazonais) com o segundo trimestre. Os destaques negativos foram os investimentos, o setor de serviços e o comércio internacional.
Pelo lado positivo, houve recuperação da indústria de transformação e um bom desempenho da agropecuária.

O resultado de 0,6% contrasta com as projeções entre 0,9% e 1,4% coletadas pela Agência Estado. Para piorar a situação, a expansão do PIB no segundo trimestre (ante o primeiro, na série dessazonalizada) foi revista de 0,4% para 0,2%.

Em relação ao mesmo período de 2011, o PIB do terceiro trimestre cresceu 0,9%, o que se compara com projeções do mercado entre 1,1% e 2,12%.
 
Os investimentos recuaram 2% ante o segundo trimestre, na série dessazonalizada, quinta queda consecutiva e pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, em plena crise global.

O setor de serviços teve crescimento zero na comparação com o segundo trimestre, mas cresceu 1,4% ante o terceiro trimestre de 2011. Um forte destaque negativo foi para a intermediação financeira (que inclui seguros e previdência privada).

O principal destaque positivo do PIB no terceiro trimestre foi a indústria de transformação, que cresceu 1,5% ante o segundo trimestre, na série livre de influências sazonais - o melhor resultado entre todos os subsetores da indústria e dos serviços, e só perdendo da agropecuária, que cresceu 2,5% na mesma base de comparação. Ainda assim, a indústria de transformação registrou uma queda de 1,8% na comparação com o mesmo trimestre de 2011, o quarto recuo consecutivo nesta base de comparação.

A construção civil cresceu 0,3% ante o segundo trimestre, e 1,2% na comparação com o terceiro trimestre de 2011. Nesta segunda base de comparação, foi o resultado mais fraco desde o terceiro trimestre de 2009.

A indústria extrativa-mineral recuou 0,4% ante o segundo trimestre, e 2,8% ante o terceiro trimestre de 2011 (pior resultado entre os doze subsetores da indústria e dos serviços).

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