O Rio Grande que dá certo03/11/2012 | 16h02

Empresa de Campo Bom desafia gigantes

GetNet infiltrou sua maquininha de passar cartões de crédito e débito em um mercado dominado por concorrentes globais

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Empresa de Campo Bom desafia gigantes Emílio Pedroso/Agencia RBS
José Renato Hopf, presidente da empresa de tecnologia GetNet, começou com oito funcionários e hoje conta com 2,6 mil em todo o país e Exterior Foto: Emílio Pedroso / Agencia RBS

Ao ser apresentado aos empresários gaúchos Ernesto Corrêa e Guilherme Stumpf, o então analista de sistemas do Banrisul José Renato Hopf fez um comentário bastante pretencioso:

— Em algum momento, o mercado de adquirência (captura e processamento de transações bancárias) no Brasil será aberto, em um prazo de cinco ou 10 anos.

A previsão não poderia ter sido mais precisa. Em 2010, a empresa de tecnologia GetNet e o Santander quebraram o duopólio do mercado, até então controlado por Redecard e Cielo, e passaram a dividir o mercado que oferece equipamentos para registrar operações com os cartões internacionais de crédito e débito Visa e Mastercard.

Quando a previsão foi feita por Hopf, em 2003, a GetNet nem havia sido criada. A empresa, nascida em Campo Bom com investimentos de Corrêa e Stumpf, figura hoje entre as maiores do país em transações eletrônicas.

— Na época, o Brasil não dispunha de uma rede independente para prestação desses serviços — lembra Hopf, 43 anos, atual presidente da GetNet.

Na época em que Visa e Mastercard só operavam com parceiros exclusivos, a GetNet começou a atuar

para atender a cartões e bandeiras regionais como a Good Card.

— Éramos chamados da "rede dos excluídos", porque atendíamos a todos cartões e empresas que não tinham redes próprias para transações eletrônicas — conta o empresário nascido em Canoas.

Passada a fase inicial, quando Hopf liderava oito funcionários em uma sala de cem metros quadrados no município do Vale do Sinos, o primeiro salto foi dado em 2004. No final daquele ano, a empresa foi percursora na recarga virtual de celular pré-pago, até então feita apenas por meio de cartões físicos. Às máquinas para telefonia móvel foram agregados serviços como recarga de bilhete de transporte público, sistemas de correspondentes bancários e consultas ao sistema de proteção de crédito Serasa.

O segundo trampolim, mais alto e a grande aposta do investimento, ocorreu em 2010. Naquele ano, uma nova regulamentação permitiu a entrada de empresas para processamento das bandeiras Visa e Mastercard. Foi quando a GetNet e o Santander formaram uma joint venture para atuar nesse mercado. Desde então, o banco espanhol e a empresa gaúcha passaram a "comer pelas beiradas" e a tirar parte do mercado ainda dominado por Cielo e Redecard.

Recentemente, a GetNet lançou uma tecnologia inédita na América Latina: reciclador de cédulas em terminais bancários de autoatendimento (sistema em que o dinheiro que entra nos caixas eletrônicos por meio de depósitos será reutilizado no próprio equipamento, garantindo o constante reabastecimento do equipamento). O caixa eletrônico que aceita depósitos, que tem como primeiro cliente o Banrisul, aceita dinheiro e cheque sem utilização de envelopes.

O resultado da união de diversas tecnologias para transações eletrônicas e serviços não poderia ser outro: uma rede credenciada de aproximadamente 400 mil estabelecimentos comerciais em todo o país e no Chile. A GetNet projeta terminar este ano com faturamento de R$ 3,7 bilhões, crescimento de 10% em relação ao ano passado. O lucro operacional, excluindo impostos, amortização e juros, deve ficar em R$ 200 milhões.

E, para manter a atenção à evolução do mercado, a GetNet prepara o próximo salto de olho nas tendências do mercado.

— O celular, futuro das transações eletrônicas, agora está preparado para oferecer serviços bancários — planeja o executivo, ao revelar que a empresa está desenvolvendo novas tecnologias para permitir operações ao alcance da palma da mão.

Perfil

Fundada em 2003, em Campo Bom, no Vale do Sinos, a GetNet é uma empresa especializada em transações eletrônicas — como cartões de crédito e débito, recargas de celular, de bilhetes de transporte, de cartões pré-pagos, além de correspondente bancário e consulta à Serasa.

Com 2,6 mil funcionários, em Porto Alegre e Campo Bom, além de unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e demais capitais brasileiras, assim como no Chile.

Tem rede credenciada de 400 mil estabelecimentos comerciais, com meta de chegar a 500 mil até o final de 2013.

Neste ano, deve faturar R$ 3,7 bilhões, com um Ebitda (resultado operacional, descontado de pamento de juro, impostos, depreciação e amortização) projetado em R$ 200 milhões.

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