Se aproximando11/11/2012 | 22h52

Alta nos combustíveis deve chegar ao consumidor

Unânimes ao projetar aumento, analistas só discordam sobre prazo em que deve ser confirmado

Enviar para um amigo
Alta nos combustíveis deve chegar ao consumidor Ricardo Duarte/Agencia RBS
Sem poder cortar mais na alíquota da Cide, já zerada, governo espera para retardar efeito sobre inflação Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Passadas as eleições, o mercado já iniciou a contagem regressiva para que o governo federal autorize o aumento no preço de gasolina e diesel nas refinarias.

Analistas econômicos são unânimes em apontar que o reajuste é inevitável, sob pena de enfraquecer ainda mais a Petrobras e comprometer a exploração das jazidas do pré-sal. Mas paira uma dúvida: quando será?

Alegando operar com dificuldades para sustentar seu programa de investimentos, a Petrobras pressiona para aumentar os preços. De junho a julho, reajustou em 7,83% a gasolina e 9,94% o diesel nas refinarias. O repasse só não chegou ao consumidor devido a uma manobra do governo, que reduziu até eliminar a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

A Cide fazia parte do leque de tributos que compõe as tarifas da gasolina (53,03% de impostos) e do diesel (40,50%). Com a alíquota da contribuição zerada, acabou a margem para congelar os preços. Há sete anos, o aumento nos combustíveis não é transferido para os postos. Agora, reajustar é apenas questão de tempo. Analista da Tendências Consultoria Integrada, Walter de Vitto avalia que virá a partir deste mês, porque a Petrobras vem praticando preços de 15% a 30% abaixo do mercado internacional.

— A Petrobras está com prejuízo. Segurando o preço do combustível, está incentivando o consumo acima do normal — argumenta.

De Vitto diz que o governo usa a Petrobras para controlar os preços e combater a inflação. Por outro lado, se insistir na estratégia, poderá tornar inviáveis projetos como a extração de petróleo da camada pré-sal.

André Trein, da Fundamenta Investimentos, acrescenta que a estatal vem importando gasolina para evitar o desabastecimento, vendendo a preços mais baratos. Para Trein, o governo não pode permitir que a dívida líquida da Petrobras atinja os 35% — e essa proporção já bateu nos 28%.

— Quanto maior o consumo de gasolina e diesel, maior o prejuízo da Petrobras — diz Trein.

Alta pode vir com a baixa na luz

Especialistas como Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), vislumbram uma tática governamental: adiar o reajuste da gasolina para o início de 2013, quando deve ocorrer a queda na tarifa de energia elétrica prometida por Dilma Rousseff.

Equilibrando aumento de combustíveis e redução na conta de luz, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) não sofreria maior impacto.

— Agora, seria botar mais lenha na fogueira da inflação — interpreta o diretor do CBIE.

Pires acha que o clima no Hemisfério Norte será um aliado do Brasil. Como é inverno lá, e a cotação da gasolina costuma diminuir com o frio, a Petrobras teria um alívio no preço do combustível importado. Economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz compartilha a tese de que o plano é compensar o aumento da gasolina com a queda na luz, para não começar o ano com inflação mais alta.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga perfis de Economia no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros