Usuários de seis planos de saúde que funcionam no Estado poderão ficar sem atendimento, de segunda a quarta-feira, caso os médicos conveniados confirmem a anunciada suspensão de consultas e procedimentos. Com o apoio de três entidades médicas, a suspensão deve atingir SulAmérica, Geap, Saúde Caixa, Cabergs, Doctor Clin e Centro Clínico Gaúcho.
As operadoras foram apontadas pelo Sindicato Médico (Simers) como as que oferecem as piores remunerações e condições de trabalho. Os três dias de boicote fazem parte da mobilização nacional que prevê protestos entre os dias 10 e 25. No Rio Grande do Sul, podem ser afetados mais de 400 mil beneficiários – 18% do total de gaúchos que pagam por um plano privado de saúde. Saindo em defesa dos usuários, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) alertou que o movimento é ilegal.
O Simers, o Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers) e a Associação Médica (Amrigs), que organizam a mobilização, justificam que as negociações com os seis planos de saúde não tiveram efeito. A categoria exige melhor remuneração e autonomia nos atos médicos. Reclama que as operadoras vetam pedidos de exames e procedimentos para economizar e aumentar seus lucros.
Segundo o presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, a suspensão poderia ser alterada somente com uma nova plenária estadual dos médicos, mas não está prevista antes de segunda-feira. Argollo ressalta que o faturamento da assistência privada cresceu 200% no país, entre 2003 e 2011, enquanto os honorários médicos seguem baixos. Os profissionais querem R$ 80 por consulta – hoje, recebem valores médios entre R$ 21 e R$ 46.
No país, a ANS já proibiu 301 planos de comercializar produtos enquanto não cumprirem a resolução que fixa prazo máximo para consulta, exame e cirurgia. O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge/RS), Francisco Antônio Santa Helena, diz que a entidade não pretende recorrer à Justiça contra a suspensão, como ocorreu em outras capitais.
– Nós queremos o diálogo – pondera Santa Helena, também diretor do Sindicato Nacional de Medicina de Grupo (Sinamge).
A desvalorização que atingiu os médicos a serviço da assistência pública repete-se agora na área da saúde privada. O secretário-geral da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Mario Cardoso Filho, diz que é inconcebível um profissional receber, por consulta, R$ 2,04 do SUS e R$ 21 de planos de saúde. Ambas as quantias são aviltantes para ele.
Ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Cardoso Filho é um dos participantes do 11º Congresso Gaúcho de Clínica Médica, que será realizado nesta sexta-feira e no sábado em Porto Alegre, na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS). Inconformado com a situação de médicos e pacientes, o especialista destaca que um simples parafuso, usado em cirurgias, está valendo mais que a perícia de um profissional.
– Numa sala de parto, aquele que filma o nascimento do bebê ganha mais que o obstetra – reclama Cardoso Filho, que é de São Paulo.
Para o médico, o governo precisa se conscientizar de que a saúde pública "não tem preço, mas tem um custo". Observa que a ANS, em vez de moralizar o setor privado, interferiu em demasia e equivocadamente.
Outro palestrante do congresso, César Kubiak, do Paraná, afirma que está se perdendo a relação médico-paciente. Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Kubiak avalia que profissionais se transformaram em caixeiros-viajantes, cumprindo jornadas estafantes em mais de uma cidade para obter uma renda satisfatória.
COMO FICA A SITUAÇÃO DO USUÁRIO
Nos dias 15, 16 e 17, médicos gaúchos anunciam que não vão atender pelos planos SulAmérica, Geap, Saúde Caixa, Cabergs, Doctor Clin e Centro Clínico Gaúcho. As seis empresas teriam mais de 400 mil usuários no Estado.
O que acontece com quem tem consulta agendada nos dias da paralisação?
O Sindicato Médico do Estado (Simers) recomenda que o médico e o paciente entrem num acordo, antecipando ou adiando a consulta. Casos graves devem ser atendidos.
O que diz a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
É proibida a cobrança de adicionais por consulta ou outro serviço, se houver cobertura do plano de saúde.
Nos casos eletivos, as operadoras devem providenciar novo agendamento dentro dos prazos estipulados pela Resolução Normativa 259.
A paralisação não pode afetar o atendimento aos beneficiários dos planos.
Serviços de urgência e emergência devem ser garantidos.
Como reclamar
Disque ANS: 0800-701-9656
Central de Atendimento ao Consumidor: www.ans.gov.br













