Mega reserva14/10/2012 | 20h26

Explorações da Petrobras mostram que pré-sal produz acima do previsto

Apenas dois campos da região equivalem a todo o volume de petróleo que a estatal já extraiu até hoje

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As explorações do pré-sal, especialmente na Bacia de Santos (litoral norte de São Paulo e sul do Estado do Rio de Janeiro), têm surpreendido a Petrobras. Os primeiros quatro poços do campo gigante de Lula, por exemplo, estão produzindo 50% a mais do que o previsto – sucessos exploratórios que têm ofuscado internamente a acentuada queda de produção no pós-sal da Bacia de Campos (litoral norte do Rio e sul do Espírito Santo). Em Santos, o índice de sucesso é de 90%, contra os cerca de 30% da média mundial.

Diante do potencial, o governo, que no mês passado anunciou previsão de data para o primeiro leilão do pré-sal (novembro de 2013), usará um modelo de concorrência que considera também o volume produzido, não apenas a área cedida – uma forma de aproveitar o máximo das reservas, cujo gigantismo a cada dia se prova mais concreto.

Apenas os recursos da área da cessão onerosa e o potencial recuperável dos dois campos do pré-sal (Lula e Sapinhoá) que a Petrobras declarou comercialidade à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) equivalem a tudo o que a companhia produziu desde sua fundação, em 1953. São 15,4 bilhões de barris.

– Só isso é igual a toda a produção que a Petrobras já teve. Os poços têm tido produtividade melhor do que o inicialmente esperado – afirma o gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Carlos Tadeu Fraga.

Os quatro campos de Lula chegaram à meta esperada para seis poços: 100 mil barris por dia. Hoje, o pré-sal já responde por 5% da produção de cerca de 2 milhões de barris diários da companhia. A previsão é de que passe para 31% em 2016 e 50% em 2020.

– Categoricamente, nossa avaliação hoje em relação ao pré-sal é muito melhor do que tínhamos há alguns anos. Cada um pode escrever o que quiser, mas essa é a mais pura realidade – disse Fraga.

Hoje, o horizonte potencial de reservas da Petrobras é o dobro de tudo o que já foi produzido: 31,5 bilhões de barris de óleo equivalente. Mas os números não levam em conta, por exemplo, o campo de Carcará (Bacia de Santos), ainda não declarado comercial e, portanto, fora das estimativas oficiais. Sócia da Petrobras, a petroleira Barra Energia crê que Carcará é, seguramente, um dos maiores reservatórios do pré-sal.

– Posso dizer com segurança que nossa expectativa é de que seja um dos mais significativos do pré-sal – disse o diretor e presidente da empresa, Renato Bertani.

Os campos da área da cessão onerosa são outro exemplo. Durante a megacapitalização da Petrobras em 2010, a empresa adquiriu da União o direito de explorar 5 bilhões de barris das áreas de Libra e Franco, ambos em Santos. Mas sabe-se que apenas Libra tem pelo menos 5 bilhões em reserva estimadas.

A primeira descoberta abaixo da camada de sal ocorreu em 2006. O primeiro óleo foi produzido em setembro de 2008, no campo de Jubarte, na Bacia de Campos. Em Franco, onde contratou o direito de produzir até 3 bilhões de barris de petróleo, a Petrobras anunciou no mês passado a perfuração do quarto poço da cessão onerosa.

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