Reduto da maior concentração de shopping centers do Brasil em relação ao número de habitantes, Porto Alegre ainda atiça o apetite de grandes grupos nacionais. Mais um centro de compras foi confirmado para a Capital, ontem, e outros nove aguardam licenças na prefeitura.
Nos próximos meses, começará a ser construído um empreendimento de porte médio na Avenida Cavalhada. Inicialmente chamado Shopping Zona Sul, terá espaço para lojas (chamada de área bruta locável, ABL) de 24 mil m² – para efeitos de comparação, é a mesma dimensão do Bourbon Shopping Ipiranga.
Com dois pisos, o empreendimento terá três lojas âncoras, pelo menos seis salas de cinema, praça de alimentação e estacionamento subterrâneo. O investimento chega a R$ 180 milhões, e há previsão de 1,8 mil empregos gerados durante a obra. A inauguração está agendada para o segundo semestre de 2014.
– As licenças já estão encaminhadas, e iremos lançar o shopping ainda neste mês – anuncia Cesar Garbin, diretor de operações da 5R Shopping Centers, grupo paulista responsável pelo projeto.
A alta densidade de shoppings em Porto Alegre – são 25 m² de lojas para cada cem habitantes, conforme a Abrasce, a associação nacional do setor, parece não intimidar os investidores. Distante dos concorrentes e próximo de bairros como Tristeza e Ipanema, onde há concentração de consumidores com alto poder aquisitivo, o empreendimento da 5R será focado na classe B. O grupo também constrói um centro de compras em Rio Grande.
Diante da ascensão da nova classe média, cidades próximas à Capital também passam a atrair investimentos. Canoas, Novo Hamburgo e Alvorada receberão grandes shopping nos próximos anos. Hoje, será lançado oficialmente o Shopping Gravataí, empreendimento com 160 lojas distribuídas em uma ABL de 21 mil m². Será um dos cinco maiores centros comerciais do Estado fora da Capital.
Os investidores pretendem captar em seu reduto o consumidor de Gravataí, que muitas vezes vai a Porto Alegre comprar.
– As cidades da região metropolitana têm alta concentração populacional e renda em crescimento, mas há poucas opções de compras e lazer – explica Lorival Rodrigues, presidente do M.Grupo, de São Paulo, responsável pelo empreendimento.
Inaugurações no atual ritmo podem comprometer a rentabilidade dos lojistas, pondera Vilson Noer, presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV). Noer explica que o faturamento médio das lojas de shopping em Porto Alegre estão em R$ 900 por m², abaixo do índice almejado pelo varejo, em torno de R$ 1 mil por m².
– É preciso levar em conta que parte dos gaúchos estão com sua capacidade de compra já comprometida. E a renda não cresce no mesmo ritmo em que surgem novos shoppings – afirma Noer.













