O paulista Lorival Rodrigues há apenas quatro anos reconheceu no Rio Grande do Sul um terreno fértil para investir e arrisca voos altos. Além de comprar uma empresa de táxi aéreo e ampliá-la para criar a segunda maior empresa do gênero no Brasil, Rodrigues também está construindo o maior prédio do Estado: um edifício de 42 andares em Gravataí. É uma pequena amostra dos empreendimentos do M.Grupo. O M, de múltiplo, reflete a diversificação nos negócios que incluem shoppings, hotéis, agronegócios e, futuramente, indústrias.
O diretor-presidente do M.Grupo relata que a admiração pelo Estado começou na infância simples em São Carlos, no interior de São Paulo.
– O meu tio era caixeiro viajante e me trazia botas do Rio Grande do Sul, contava histórias. Eu ficava imaginando como era o gaúcho, achava que todo mundo andava pilchado. Quando tive minha primeira oportunidade de viajar de avião, aos 18 anos, comprei passagem para Porto Alegre, passei o dia pelo Centro, andei de barco no Guaíba e à noite fui passear na Redenção, o que 40 anos atrás era seguro – brinca Rodrigues, citando o tio que, anos mais tarde, fundou a rede Magazine Luiza.
A redescoberta do Estado veio em 2008, quando Rodrigues se impressionou com o desenvolvimento imobiliário do Litoral Norte e decidiu construir um condomínio de luxo na área. Desde então, reuniu a família e se mudou de mala e cuia. Vê os gaúchos como bons parceiros de negócios, mas conservadores e cautelosos. Traz como vantagem o olhar de fora para identificar oportunidades que extrapolam o tradicional.
– As pessoas têm oportunidades na frente dos olhos e não estão agarrando. Existe crédito disponível, mas o banco não bate na casa das pessoas para oferecer uma linha de financiamento. É preciso estudar, elaborar um projeto sólido e ir atrás de dinheiro, parcerias e permutas – provoca Rodrigues.
Para construir o prédio mais alto do Estado, em Gravataí, que acompanhará um shopping e um hotel, fez uma série de estudos. Segundo o empresário, nada foi baseado em palpites.
– Gravataí está recebendo indústrias, é o quarto PIB do Estado, e ninguém estava olhando. A cidade estava implorando por um centro comercial, fica bem perto do aeroporto e foge do movimento afunilado da entrada da Capital. Além disso, não dá para construir prédios muito altos em Porto Alegre, e as grandes empresas preferem ficar em andares altos, querem pisos inteiros – justifica Rodrigues.
A mulher, os filhos, irmãos e sobrinhos administram a linha variada de investimentos. Segundo Rodrigues, foi a união da família que o tirou de uma infância simples para a constituição de um grupo dono de empreendimentos imobiliários, shoppings e uma empresa de táxi aéreo.
– Se é para pedir ou agradecer um favor, sempre nos deixamos um bilhetinho para lembrar que é junto que se chega longe. Ainda temos um longo caminho. A minha filha, que é responsável pelo marketing do grupo, tem essa ideia clara e esses dias me disse ‘temos o Rio Grande do Sul inteiro para crescer’ – confidencia Rodrigues.
Os projetos do M.Grupo
Bordini Wish – Condomínio de luxo no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre
Shopping de Lajeado – M.Grupo comprou 70% do empreendimento comercial
Quatro hotéis – Dois deles em Porto Alegre e outro no Litoral Norte, além do hotel em Gravataí junto ao shopping
Moradas de Novo Hamburgo – Condomínio horizontal no Vale do Sinos
Complexo econômico em Gravataí – Shopping, hotel, torres residenciais, torres comerciais e prédio de 42 andares
Condomínio Dubai – Litoral norte do Estado
Star Air – Empresa de táxi aéreo constituída com a compra da Bertol. Um hangar será reformado e outro construído. A empresa passará a operar com helicóptero e oito aviões e oferecerá hangaragem













