Inflação do lazer29/07/2012 | 04h13

Preços de programas culturais sobem acima da inflação em Porto Alegre nos últimos 12 meses

Aquecimento do consumo elevou valor dos serviços, afirma especialista

Enviar para um amigo
Preços de programas culturais sobem acima da inflação em Porto Alegre nos últimos 12 meses Jean Schwarz/
A psicóloga Carmem Fabrício foi ao cinema com os dois filhos e a sobrinha e diz que não dá para curtir uma saída sem planejamento Foto: Jean Schwarz

Dinheiro traz felicidade? Se a sua alegria for curtir um cinema em família, comer um hambúrguer com fritas no shopping ou abrir um vinho com os amigos, definitivamente será preciso mais dinheiro para ser feliz.

Levantamento exclusivo feito pela Fundação Getulio Vargas a pedido de Zero Hora mostra que, nos últimos 12 meses, os preços de programas culturais, lanches fora de casa e guloseimas cresceram mais do que a inflação em Porto Alegre.

Saiba mais:
O custo do divertimento

Enquanto o IPC-S subiu 4,7%, a alta de 22 itens associados ao lazer e à diversão foi de 5,7%. Famílias que aproveitaram as férias de inverno para passear com os filhos tiveram de reforçar o bolso.

Os ingressos para o cinema, tradicional programa da classe média, ficaram 7,25% mais caros em um ano. O lanche depois do filme também ficou salgado: sanduíches, batatas fritas e refrigerantes aumentaram o dobro da inflação. E o preço do estacionamento acelerou quase 11%.

— O aquecimento do consumo nos últimos anos puxou para cima o preço dos serviços. Além do aumento nas margens de lucro, as empresas tiveram de pagar alugueis e salários mais altos, e repassaram estes custos ao consumidor — afirma Marcio Fernando Mendes da Silva, coordenador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV em Porto Alegre.

A ida ao cinema da psicóloga Carmen Medeiros Fabrício com os dois filhos e uma sobrinha — três crianças em férias escolares —, na quarta-feira passada, custou R$ 33 em ingressos e valor semelhante com lanche. Naquela tarde, a conta da diversão encostou em R$ 80.

— Não dá mais para curtir uma tarde com as crianças no shopping sem se planejar. Os preços subiram muito — constata Carmen.

Quem viajou para as férias de inverno dentro do país encontrou reajustes mais modestos. Tarifas de ônibus interurbanos, passagens aéreas e diárias nos hotéis cresceram menos de 3,5%. Para Marcio Silva, a explicação está no maior interesse dos brasileiros em viajar para o Exterior, o que teria ajudado a segurar os preços no mercado interno.

Reajustes foram menores nos últimos seis meses

Engana-se quem acha que desfrutar o inverno em casa saiu mais barato. Muitas das guloseimas ficaram mais caras nos supermercados. Bombons e chocolates subiram, embora menos do que sorvetes e picolés. Já o valor das bebidas alcoólicas cresceu muito: as cervejas subiram quase o dobro da inflação, e os vinhos não ficaram muito para trás.

— Houve aumento de pelo menos 20% no imposto sobre bebidas alcoólicas e refrigerantes nos últimos anos. Já as seções de chocolates e biscoitos receberam lançamentos mais sofisticados e caros — afirma o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo.

A recente alta de preços repete uma trajetória dos últimos cinco anos, período de ascensão da nova classe média. Trinta milhões de brasileiros ganharam mais poder de compra e, após saciarem as necessidades mais básicas, passam a ambicionar conforto e lazer. As empresas viram espaço para aumentar os preços.

A tendência para os próximos meses, no entanto, é de altas mais modestas. O levantamento da FGV mostra que a inflação de serviços e lanches em Porto Alegre foi menor do que o IPC-S entre janeiro e junho de 2012 — os vilões da vez são alguns hortigranjeiros, cujos preços dispararam em decorrência da entressafra.

Marcio Silva explica que a desaceleração dos preços está ligada ao resfriamento da economia e ao alto endividamento da população, que a afasta do consumo de produtos menos essenciais.

Siga perfis de Economia no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros