Barreira na fronteira04/07/2012 | 22h06

Empresários gaúchos ainda estão cautelosos com Argentina

Indústrias e entidades temem que promessa de liberar comércio não seja cumprida

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Uma semana após Brasil e Argentina se comprometerem a remover as barreiras que atrapalham o fluxo do comércio entre os dois países, pouca coisa mudou para os exportadores gaúchos. Apenas o setor calçadista têm informações sobre a liberação de produtos.

Dos 1,6 milhão de pares retidos, cerca de 500 mil de quatro empresas receberam autorização para atravessar a fronteira nos últimos dias, estima a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Para o diretor executivo da entidade, Heitor Klein, ainda é preciso ter cautela.

– Em vezes anteriores, já tivemos esse tipo de reação inicial, que depois acabou não evoluindo. É cedo para uma conclusão – avalia Klein.

O presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros do Estado do Rio Grande do Sul (Sdaergs), Lauri Kotz, diz ter recebido informações da chegada de licenças de importação de carne suína, mas a indústria gaúcha sustenta que ainda não há confirmação da liberação de produtos.

– Há ansiedade. Sabemos que importadores e exportadores estão atrás da documentação. Esperamos que algo ocorra a partir de amanhã (hoje) ou nos próximos dias – diz o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos do Estado (Sips), Rogério Kerber.

A angústia se repete na fabricante de alimentos Oderich, de São Sebastião do Caí. A empresa busca diariamente informações com o representante argentino sobre a liberação de 150 mil caixas com enlatados de milho e ervilha, mercadoria avaliada em R$ 2,5 milhões. Na companhia, há desconfiança de que as promessas de destravar o comércio mais uma vez não serão cumpridas.

– Nada aconteceu. Acho que estão enrolando de novo – diz Marcos Oderich, diretor da empresa.

Para Kotz, do Sdaergs, será preciso esperar até a próxima semana para poder avaliar se o acordo entre os governos do Brasil e Argentina foi posto em prática.

Levantamento do sindicato mostra que, no primeiro semestre, caiu o fluxo de caminhões que transportam mercadorias entre os dois países e atravessam a fronteira pelo Estado. Em Uruguaiana e São Borja, o movimento de exportação para a Argentina caiu 12% ante os seis primeiros meses do ano passado.

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