Estagnação que vem do campo02/06/2012 | 05h59

Quebra na safra freia crescimento do PIB no Estado

Mau desempenho da agricultura deve deixar índice gaúcho abaixo do brasileiro

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Depois de avançar apenas 0,2% nos primeiros três meses do ano, a economia brasileira só deverá ensaiar uma retomada no final do ano. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no país foi freado principalmente pela retração da agropecuária, que terá impacto ainda maior no Estado.

A economia gaúcha deve avançar de maneira sólida somente no fim do ano. O setor primário caiu 7,3% de janeiro a março, na comparação com o quarto trimestre de 2011. O fraco desempenho foi reflexo da estiagem que atingiu a Região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, onde as perdas diretas nas lavouras de verão chegaram a R$ 5,8 bilhões, conforme a Federação da Agricultura no Estado (Farsul).

O resultado negativo pode ser visto como uma prévia do PIB gaúcho, que historicamente cresce menos do que o país quando há quebra na safra de grãos.

— A tendência é de que o PIB do Estado seja inferior ao do Brasil, assim como nos anos em que a agricultura não foi bem — prevê Sérgio Fischer, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), que divulga o PIB gaúcho no fim do mês.

A quebra de 40% da safra de soja no Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores do país, foi responsável por boa parte da retração da agropecuária brasileira.

— A baixa na produção fez com que as exportações de soja, fundamentais para o PIB gaúcho, não passassem de 5% do volume embarcado no ano passado — detalha Antônio da Luz, economista da Farsul.

Enquanto no primeiro quadrimestre de 2011 a exportação do grão somou US$ 4 bilhões, no mesmo período deste ano as vendas externas do produto não passaram de US$ 206 milhões.

O mau desempenho no começo do ano adiou a expectativa de recuperação da economia brasileira para o final de 2012. A Federação das Indústrias do Estado (Fiergs) previa uma retomada no começo do segundo semestre, mas agora já vislumbra a melhora de cenário mais para o final do ano.

— Sabíamos que teríamos um ano difícil, em razão da estiagem. Mas os altos estoques da indústria, em setores como o metalmecânico, nos fazem prever uma retomada mais lenta — afirma o presidente da Fiergs, Heitor José Müller.

Veja as perspectivas para alguns setores gaúchos:

Metalmecânica

Desde 1º de janeiro, os veículos a diesel têm de incorporar um motor apto a consumir combustível menos poluente (norma Euro 5), o que encareceu a produção e provocou adiantamento de pedidos no fim de 2011 e queda nas vendas agora.

Com queda de 9,5% no faturamento no primeiro quadrimestre, o setor espera retomada a partir de julho. A retração, causada pela norma Euro 5 e pela quebra da safra, fez empresas da Serra cortarem 1,1 mil vagas.

— As indústrias estão com estoques muito altos, tendo de conceder férias coletivas — destaca Getulio Fonseca, presidente do sindicato das indústrias do segmento metalmecânico.

Adubos e fertilizantes

Em razão da estiagem, o setor recuou 7,4% entre janeiro e abril. A expectativa, no entanto, é de recuperação das perdas no segundo semestre, quando está concentrado 70% do consumo de adubos no plantio das lavouras.

— A previsão de um ano com clima favorável e alta demanda por alimentos nos faz acreditar em uma reação a partir de agora — aponta Torvaldo Antônio Marzolla Filho, presidente do Sindicato da Indústria de Adubos do Estado.

No Rio Grande do Sul, existem 14 indústrias de fertilizantes, que produziram 4,5 milhões de toneladas no ano passado.

Construção Civil

Um dos poucos setores da economia nacional a apresentar crescimento, de 1,5%, a construção civil manteve resultado positivo em razão das obras públicas e de grandes empreendimentos privados.

— Costumo dizer que batemos a cabeça no teto em 2010. Então, se nos mantivermos nesse patamar já será muito positivo — avalia o presidente do Sindicato da Construção Civil no RS (Sinduscon-RS), Paulo Garcia.

Em 12 meses, o setor criou 13 mil novas vagas no Estado, empregando cerca de 130 mil trabalhadores. Em um ano, foram lançadas quase 5 mil unidades em Porto Alegre, crescimento de 5%.

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